Autoridade Palestiniana exige pedido de desculpa a Guterres por declarações sobre Jerusalém
01 fev 17

Autoridade Palestiniana exige pedido de desculpa a Guterres por declarações sobre Jerusalém

Www.publico.pt
As autoridades palestinianas exigem um pedido de desculpa a António Guterres, secretário-geral das Nações Unidas, devido aos seus comentários sobre a origem judaica do Monte do Templo em Jerusalém.Também conhecido, pelos muçulmanos, como Nobre Santuário, este é um lugar sagrado para o Judaísmo, Cristianismo e Islamismo, sendo por isso um dos locais religiosos mais disputados do mundo, e alvo de enormes tensões. Aí encontra-se a mesquita de Al-Aqsa, o terceiro lugar mais sagrado para os muçulmanos, a seguir a Meca e Medina.

É comum ouvir também a designação de Esplanada das Mesquitas.Guterres, no âmbito das comemorações do Dia Internacional em Memória das Vítimas do Holocausto, afirmou numa entrevista à Radio Israel, em Nova Iorque, que é “completamente claro que o templo que os romanos destruíram em Jerusalém era um templo judeu”. “Ninguém pode negar o facto de Jerusalém ser sagrada para três religiões actualmente”, acrescentou.Antes, no dia 27 deste mês, e durante um discurso na sede da ONU, o secretário-geral afirmou que o “Império Romano não só destruiu o templo em Jerusalém, mas também fez os judeus párias em muitos sentidos”.

Guterres refere-se assim ao Templo de Salomão que, segundo a Bíblia hebraica, foi o primeiro templo de Jerusalém, tendo sido destruído pelos babilónios depois de um cerco à cidade, calcula-se que em 586 a.C. A mesquita islâmica de Al-Aqsa foi construído apenas no ano 705 d.C.

Apesar das referências históricas, as afirmações do antigo primeiro-ministro português irritaram as autoridades palestinianas. À agência de notícias chinesa Xinhua, o responsável da Autoridade Palestiniana pelos assuntos relacionados com Jerusalém, Adnan al-Husseini, diz que Guterres “ignorou a decisão da Unesco que considera a mesquita de Al-Aqsa de herança puramente islâmica”, acusando ainda o português de “violar todos os costumes humanitários legais, diplomáticos e ultrapassou o seu papel de secretário-geral”. Por isso, diz al-Husseini, Guterres “tem de apresentar um pedido de desculpas ao povo palestiniano”.

A decisão da Unesco referida pelo dirigente palestiniano é do passado mês de Outubro e provocou, inclusivamente, o corte de relações entre Israel e aquela organização da ONU. Em concreto, foi adoptada uma resolução que criticava a acção israelita em redor da mesquita de al-Aqsa e na “Jerusalém de Leste ocupada”.

No texto, a Unesco refere-se sempre ao local com a denominação islâmica, o que enfureceu os israelitas.A agência chinesa falou também com um conselheiro do líder palestiniano, Mahmoud Abbas, Ahmad Majdalani, que diz que as declarações de Guterres “minam a credibilidade da ONU como órgão que deveria apoiar os povos ocupados”.

O secretário-geral deve também, defende Majdalani, “clarificar as suas observações que dá a Israel luz verde para mais medidas contra Jerusalém”.

Artigos Relacionados


Webinar: Relações Diplomáticas Brasil-Israel I – O Brasil e a Paz no Oriente Médio

Calendar icon 20 de julho de 2020

Arrow right icon Leia mais

Quanto mais a crise se agrava, mais os discursos de extrema direita seduzem a população, segundo estudiosa do assunto

Calendar icon 30 de outubro de 2020

A Segunda Guerra Mundial, talvez o auge da extrema direita na Europa, acabou há 75 anos. Mas isso não quer dizer que a ideologia que levou Hitler e outros líderes radicais ao poder tenha acabado também. O que é a extrema direita hoje na Europa? Como ela se reflete em outros lugares do mundo? Anita […]

Arrow right icon Leia mais

Como estará Israel quando chegar aos 100 anos?

Calendar icon 20 de abril de 2018

N0 aniversário de 70 anos do país, além de olhar para trás, o IBI também propõe uma reflexão sobre o futuro

Arrow right icon Leia mais