EDITORIAL: Um inimigo comum de árabes, negros e judeus
18 ago 17

EDITORIAL: Um inimigo comum de árabes, negros e judeus

O reconhecimento de que a proteção dos espaços de manifestação política constitui parte do sistema contemporâneo de liberdade de expressão coloca novos desafios para a democracia. Manifestações de grupos com convicções abertamente racistas, xenófobas e antissemitas, como a que ocorreu recentemente nos Estados Unidos, têm causado sérios danos a integrantes de comunidades étnicas e sociais minoritárias. A permissibilidade com que tais discursos são tratados pode ser vista como parte do processo de corrosão da igualdade política e mesmo da integridade, física e moral, das minorias atacadas. 

p.p1 {margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 12.0px Arial}

Na marcha de Charlottesville, além do número considerável de pessoas presentes, chamou a atenção a quantidade de referências que os participantes carregavam consigo: tochas fazendo alusão à KKK (Ku Klux Kan), suásticas, gritos de guerra discriminatórios, bandeiras escravocratas. A ideologia supremacista tomava igualmente como alvo árabes, judeus, negros, gays e outras tantas minorias. É importante que se perceba nos símbolos utilizados os ideais em que neles sobrevivem para que se possa compreender sua função ideológica e política.
Em sociedades multiétnicas, com muitos milhões de pessoas, a organização democrática consiste em discussões e resoluções fluidas, frequentemente sobrepostas e divergentes. Assim sendo, pessoas ou grupos podem assumir múltiplos lugares nos espaços de deliberação e luta política. Nesse sentido, comunidades percebidas a priori e vulgarmente como inimigas (por exemplo, árabes e judeus) têm, na verdade, atributos comuns, podendo atuar em conjunto ao tornarem-se vítimas do mesmo pensamento excludente.

Ao atuar de maneira violenta, impondo uma lógica arbitrária e retrógrada, tais manifestações ratificam e reproduzem preconceitos, racismos e antissemitismos. O enfrentamento a elas deve ser construído em conjunto, envolvendo todas as pessoas e grupos que se sentiram ultrajados.

Artigos Relacionados


O Conservadorismo Religioso e os Reflexos na População LGBT+

Calendar icon 14 de setembro de 2020

Arrow right icon Leia mais

IBI em casa: bate-papo com o cineasta israelense Amos Gitai

Calendar icon 28 de outubro de 2019

O Instituto Brasil-Israel recebeu o cineasta Amos Gitai, para um bate-papo, com convidados. O israelense está no Brasil a convite da Mostra Internacional de Cinema de SP e lançou o livro “Em Tempos Como Estes”,  com cartas escritas por sua mãe, Efratia.  Durante a conversa, Amos contou como foi sua passagem pelo serviço militar (onde […]

Arrow right icon Leia mais

Pastor Henrique Vieira e psicanalista Christian Dunker participaram de debate sobre Israel

Calendar icon 11 de março de 2020

O pastor Henrique Vieira e o psicanalista Christian Dunker participaram do encontro “Entre a bíblia e o divã: quem precisa de uma Israel imaginária?”. promovido pelo Instituto Brasil-Israel para convidados. Ambos formadores de opinião viajaram, a convite do IBI, para Israel e Palestina, em janeiro e participaram da conferência, na Universidade de Haifa, que tratou […]

Arrow right icon Leia mais