Centenas de acadêmicos israelenses pedem que Netanyahu não deporte africanos
20 jan 18

Centenas de acadêmicos israelenses pedem que Netanyahu não deporte africanos

Logo após 35 escritores israelenses pedirem ao primeiro-ministro Benjamin Netanyahu que desistisse dos planos de deportar milhares de requerentes de asilo africanos, cerca de 500 acadêmicos assinaram uma carta similar.

“Nós pedimos que você reveja  a resolução do gabinete que aprovou a prisão e a deportação forçada dos requerentes de asilo que se refugiaram em Israel”, 470 professores universitários escreveram na carta endereçada ao primeiro ministro, membros do gabinete e o presidente Reuven Rivlin.

“Temos o dever de lembrar que fomos estrangeiros perseguidos e refugiados, e devemos dar calorosas boas vindas aos requerentes de asilo que fugiram de suas casas e suas terras para salvar suas próprias vidas e a vida de seus familiares”.

“A história de nossa nação exige que Israel sirva de modelo para o tratamento de crianças e adultos que buscam o refúgio da limpeza étnica, perseguição e violência política, do tráfico de seres humanos, do estupro e da tortura. Israel é grande e forte o suficiente para proporcionar abrigo temporário e refúgio a dezenas de milhares de requerentes de asilo do leste da África até o momento em que possam retornar às suas casas, livre e em segurança “, acrescentou a carta.

Uma carta similar foi assinada por 50 rabinos associados à associação ortodoxa e pluralista Torat Chayim. Eles pediram que o Estado defenda a lei judaica e siga a passagem bíblica de Deuteronômio 23:16: “Não entregará a seu senhor um servo que escapou de seu senhor para você”.

Os rabinos chamaram a atenção para o fato de que os 35.000 refugiados africanos que vivem em Israel representam menos de 0,5% da população do Estado – um número muito pequeno para mudar significativamente o equilíbrio demográfico de Israel.

A carta dos escritores, na quinta-feira, pediu que Netanyahu “aja de forma moralmente, humanamente e com compaixão digna do povo judeu, e para impedir a deportação de refugiados para o inferno de onde fugiram. Do contrário, não temos motivos para existir “.

A oposição aos planos de expulsar à força os requerentes de asilo da Eritreia e do Sudão e para prender indefinidamente quem se recusa a sair cresceu em Israel. Na quarta-feira passada, centenas de pessoas participaram de uma manifestação no Knesset iniciada pelos deputados Michal Rozin (Meretz), Eyal Ben-Reuven (União Sionista) e Dov Khenin (Lista Conjunta). Um evento similar promovido pelo Instituto Hartman e pelos Rabinos para os Direitos Humanos foi realizado em Jerusalém na terça-feira. Protestos também foram realizados na terça-feira diante das residências dos ministros e dos membros do Knesset em Jerusalém, Tel Aviv, Be’er Sheva e Haifa.

Eli Nehama, diretor da escola Bialik-Rogozin, do sul de Tel Aviv – onde muitos dos estudantes são filhos de requerentes de asilo – pediu ao governo que evite a deportação. Alertou que essa política é imoral e uma tragédia para as gerações vindouras.

Matéria traduzida do jornal israelense Haaretz. Leia original.

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