Centenas de pessoas protestam em Tel Aviv contra as mortes em Gaza
Segurando cartazes que diziam “Pare o fogo vivo” e entoando gritos como “árabes e judeus se recusam a ser inimigos”, centenas de manifestantes ocuparam importante avenida de Tel Aviv na terça-feira, bloqueando o trânsito, em protesto devido a ataques contra palestinos na fronteira com Gaza.
Mais de 60 palestinos foram mortos nos confrontos de segunda-feira, que ocorreram no mesmo dia em que a embaixada dos EUA foi inaugurada em Jerusalém. Os confrontos aconteceram enquanto os palestinos protestavam próximos à fronteira – alguns manifestantes tentaram furar a cerca e atravessar para o território israelense. O protesto marcou os 70 anos da criação do Estado de Israel, que provocou o deslocamento de mais de 700.000 palestinos. Eles chamam isso de Nakba, que, em árabe, quer dizer “catástrofe”.
“Não posso suportar o massacre que está acontecendo em meu nome, não quero ser associado a ele”, disse Tamar Selby, 72 anos, uma psicoterapeuta que afirma protestar contra a ocupação israelense de terras palestinas desde 1968, um ano após Israel ter assumido o controle da Faixa de Gaza e da Cisjordânia na Guerra dos Seis Dias.
Protestando nas proximidades, Alon-Lee Green, 30 anos, usava a camisa roxa de sua organização, Stand Together, escrita em hebraico e árabe.
“Em vez de matar manifestantes palestinos, Israel precisa ver quão desesperada é a sua necessidade por empregos, eletricidade e água limpa sob o cerco”, disse ele, referindo-se às severas restrições de Israel sobre o que é permitido entrar e sair da Faixa de Gaza.
“Ver as imagens de ontem em uma tela dividida no noticiário da televisão israelense foi chocante – em Gaza houve morte e depois houve Ivanka Trump, na verdade bebendo champanhe (na abertura da embaixada). Foi surreal e impossível de digerir – a justaposição de celebração com as 60 pessoas que perderam suas vidas”, disse ele.
Vários manifestantes entrevistados disseram que não poderiam ficar em silêncio diante do derramamento de sangue em Gaza. Eles rejeitaram o posicionamento do governo de que o Hamas era culpado pela violência por terem conscientemente enviado os seus jovens para as proximidades da cerca, o que Israel repetidamente os alertou a evitar.
“Precisamos perguntar como essas pessoas chegaram a tal estado de desespero. Dizer que é apenas culpa do Hamas é fechar os olhos”, disse Liel Magen, 32, que trabalha na Israel-Palestina: Creative Regional Initiatives, um think tank.
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