Quem são os drusos, que saíram às ruas para protestar contra a Lei do Estado Nação?
Os drusos são uma comunidade autônoma que segue uma religião próxima ao Islã e fala a língua árabe. Há grupos vivendo no Líbano, na Síria, na Turquia, na Jordânia e em Israel. São conhecidos pela lealdade às nações onde residem, algo que faz parte de sua própria crença. Em Israel, são mais de 130 mil pessoas (1,6% da população) e ficaram conhecidos por votar, em grande número, no Likud, partido do primeiro-ministro Benjamin Netanyahu.
Diferentemente dos árabes muçulmanos, os drusos se alistam no Exército, sendo que 491 deles já morreram em combate. Também costumam integrar o corpo diplomático do país (entre 2014 e 2015, por exemplo, o Embaixador de Israel no Brasil era o druso Reda Mansour). A exceção são os drusos do Golã, região síria anexada por Israel em 1967. Estes mantêm lealdade a Assad, possuem vínculos familiares e sociais com os drusos do lado sírio e, em geral, não se envolvem em temas de Israel-Palestina.
Devido a seu patriotismo e engajamento nacional, muitos drusos sentiram-se excluídos da Lei Básica: Israel como o Estado-Nação do Povo Judeu e lideraram o protesto que reuniu dezenas de milhares de pessoas no último sábado, 04/08, em Tel Aviv.
O xeque Mowafaq Tarif, líder espiritual da comunidade drusa, dirigiu-se aos manifestantes no início da manifestação. “Sempre nos orgulhamos do país, nunca contestamos sua identidade judaica. Acreditávamos que parte de seu ethos judaico traria um tratamento de total igualdade para seus cidadãos não-judeus”, afirmou.
“Ninguém pode nos ensinar sobre o sacrifício e nos falar sobre lealdade. Os cemitérios militares podem atestar isso”, continuou Tarif. “Apesar de nossa lealdade sem reservas, Israel não nos vê como iguais. Assim como lutamos pela existência e segurança do Estado, estamos determinados a lutar junto com vocês pelo caráter de Israel e pelo direito de viver nele com igualdade e respeito”, acrescentou.
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