Marcos Gorinstein fala sobre boicotes a Israel na 11ª aula do curso do IBI no Rio
A décima primeira aula do curso de formação do IBI no Rio de Janeiro, no dia 30/11, aconteceu em parceria com o Dialogue Café. O professor convidado foi Marcos Gorinstein, direto de Israel com a contribuição do sistema do Dialogue. O tema da aula foi o movimento de boicote a Israel, suas premissas e consequências.
Desta forma, o BDS (Boicote, Desinvestimento e Sanções) foi objeto central de discussões. Todavia, o professor sugeriu a necessidade de diferenciar entre o movimento BDS e a estratégia BDS. Enquanto movimento, foi fundado em 2005 a partir de uma carta de setores da sociedade civil palestina defendendo a necessidade de boicotar e isolar Israel. O objetivo desta ação seria a obtenção de igualdade de direitos entre palestinos-israelenses e judeus-israelenses; o reconhecimento do direto de retorno palestino; e o fim da ocupação de todas as terras árabes.
Assim, o diferencial deste movimento seria sua luta voltada para garantia de direitos a partir de paradigmas do direito internacional, independente de soluções de um ou dois estados. No entanto, como apontou Marcos, os objetivos são propositalmente vagos e abertos a múltiplas leituras – não fica claro o que são terras árabes (fronteiras de 1967 ou 1948) e nesse sentido, se a igualdade de direitos reivindicada é na Cisjordânia ou em Israel, pois não se sabe onde é Israel para o BDS. Deste modo, conseguem abranger grupos diversos para sua causa, podendo parecer radicais ou moderados dependendo da situação.
Ademais, o paradigma central com o qual o BDS se compara e pensa é o de boicote à África do Sul na época do Apartheid. Assim, reivindica-se um movimento internacional nesses moldes, visto sua ampla aceitação e legitimidade atual, e simultaneamente se caracteriza Israel como um Apartheid. Mas ao analisar as sanções no paradigma da ONU, ressaltou como são colocadas com objetivos bem definidos, capazes de serem bem avaliados, ao contrário do BDS. Desta forma, pensando a partir da atuação concreta do BDS, e não de seus objetivos proclamados, Marcos avaliou que a atuação do BDS enquanto movimento objetiva o fim do Estado de Israel. Apesar de não vê-lo assim em sua totalidade, também mencionou um distintivo componente antissemita do movimento.
Mas o professor destacou a importância de pensar o BDS como estratégia de boicote, não só um movimento institucionalizado. Até por que boa parte de sua atuação é descentralizada e busca se capilarizar por meio do compromisso de outros grupos e pessoas a boicotarem Israel. Estratégia que pode ser utilizada com outros objetivos melhor circunscritos e é legítima. Mas a forma de atuação focada em boicotes culturais e acadêmicos indiscriminados pode isolar setores israelenses que lutam contra a ocupação. Ação que se soma às recentes atitudes de perseguição e fechamento do governo e de setores da sociedade israelense de perseguir e não permitir a entrada de ativistas de esquerda e diretos humanos, apoiem o BDS ou não. Ao mesmo tempo, as recentes transformações políticas globais e ascensão de governos de extrema-direita pode mudar este cenário ao contribuir para uma maior integração de Israel no cenário internacional, e não seu isolamento.
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