Aula de Luís Edmundo encerra curso de formação do IBI no Rio
20 dez 18

Aula de Luís Edmundo encerra curso de formação do IBI no Rio

Na última aula do curso de formação do IBI no Rio de Janeiro, no dia 07/12, Luís Edmundo de Moraes, professor de História da UFRRJ, foi recebido novamente. Retomando o fio da meada de sua última aula, sobre antissemitismo e racismo, buscou sinterizar a questão e propor uma reflexão sobre os usos contemporâneos do termo.

Seu principal objetivo foi traçar a relação clara da constituição do antissemitismo no século XIX com o racismo. Assim, o fenômeno histórico do antissemitismo é baseado em princípios de hierarquização e naturalização de diferenças, gerando novas formas de exclusão social. Quando associados a práticas de higiene e engenharia social, não só a segregação e a exclusão fazem parte, como a lógica do extermínio entra no horizonte.

Desta maneira, o professor propôs um questionamento sobre os usos da palavra antissemitismo, sejam eles políticos – regidos pela lógica da eficiência do uso da palavra para seus objetivos políticos – ou analíticos – regidos pela lógica rigorosa de análise do mundo social. Quando pensamos a partir deste enquadramento, é possível entender como faz sentido a falta de coerência interna de certos usos da palavra antissemitismo.

Todavia, nestes casos, a abrangência e falta de rigor do uso do termo abre espaço para sua banalização. Equacionar, por exemplo, questionamentos e críticas ao Estado ou ao governo israelense, com antissemitismo, pode abrir espaço para a perda de força descritiva da palavra em outros casos. Ademais, por mais odiosas que certas manifestações sejam, Luís Edmundo defendeu a necessidade de distingui-las do antissemitismo, por sua relação com o racismo. De outro modo, quando há a necessidade de descrever algo com o peso da palavra antissemitismo, ele não mais existirá e não será possível seu combate eficaz.

No entanto, como foi o objetivo deste curso como um todo, tratar deste assunto não é algo excepcional, como a relação com a historicidade do racismo já demonstra. É possível pensar a partir deste prisma sobre Israel e Palestina, sobre fascismo, sobre questões de gênero, etc. Trata-se de pensar de forma conectada e rigorosa, vendo o mundo como um todo e não como guetos isolados. Assim é possível dialogar e trabalhar no mundo.

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