Ação diplomática do Brasil com Israel deu lugar a uma demanda interna, afirma Casarões
O Oriente Médio é um ponto “incontornável” no que se refere às
questões políticas mundiais e à economia global. Daí a atenção para a
região ser cada vez maior, nas últimas décadas. Seja por interesses comerciais
ou diplomáticos, diversos países vêm buscando estreitar laços com aquele território,
entre eles o Brasil. As recentes tentativas de aproximação entre o governo
brasileiro e o estado de Israel foram analisadas pelo professor do curso de Relações
Internacionais da UFGV, Guilherme Casarões, na sexta aula do curso de formação
do IBI, em São Paulo, na última quinta-feira (06).
O
cientista político fez um retrospecto da diplomacia brasileira das últimas
décadas e lembrou que Lula foi o primeiro presidente do Brasil a
visitar a Palestina e o estado de Israel. Mas a partir do governo Dilma,
que ficou marcado pelo episódio do “Anão Diplomático”, o país diminui
significativamente seus esforços em se tornar um ator global.
“Para ser uma grande potência no
mundo de hoje, é importante ter ‘um pé’ no Oriente Médio, se envolver em alguma
questão. O que é um grande desafio para alguns países emergentes como China e Índia”. De acordo com o professor, o Brasil teria
na manga um forte argumento demográfico para usar na sua aproximação com
Israel: a presença de uma comunidade judaica estimada em 120 mil pessoas, a
segunda maior da América Latina.
Contudo, o que se tem visto na diplomacia adotada pelo atual governo na relação com Israel,
aponta Casarões, é um interesse político em agradar um grupo da sociedade que
forma a base eleitoral do presidente Jair Bolsonaro. “A busca por protagonismo diplomático do Brasil
deu lugar a uma demanda das comunidades evangélicas, que
veem Jerusalém como a ‘terra prometida’, e a aproximação com Israel serviria ao
cumprimento de uma profecia bíblica”.
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