Os judeus mizrahim nas eleições de Israel
IBIBenjamin Netanyahu, do partido Likud, venceu as eleições gerais de 09 de abril de 2019. Porém, o atual primeiro ministro não conseguiu formar coalização e novas eleições foram convocadas para o dia 17 de setembro.
Pode ser que pouca gente perceba, mas a edição de setembro tem uma novidade que as outras não tiveram. Entre esquerda e direita, seculares e religiosos, críticos e apoiadores de Bibi Netanyahu, a questão étnica surge com força. Não se trata da conhecida divisão entre árabes e judeus, nem mesmo da divisão gerada pelo conflito entre israelenses e palestinos. Trata-se de uma questão que envolve os judeus mizrahim, originários de países do Oriente Médio.
O Partido Trabalhista, ao se juntar com o partido Gesher, produziu uma união inédita: Amir Peretz, um líder sindical de esquerda e Orly Levy-Abekasis, feminista tradicionalista e membro de uma família do Likud, se uniram para desafiar as lógicas binárias da política israelense.
Mas não é só isso. O número 10 da lista dessa nova coalização chama-se Carmen Elmakiyes, fundadora no movimento “Não Somos Fofas” (lo nechmadot). Carmen, uma judia mizrahi, é da segunda geração dos Panteras Negras Israelenses – grupo que surgiu na década de 70 para reivindicar os direitos dos judeus sefaradim e mizrahim, oriundos de países do norte da África e do Oriente Médio –, e reivindica, explicitamente, sua herança política.
Entre Netanyahu e Benny Gantz, Carmen aparece para fortalecer o meio campo. Pode ser que não consiga, mas não podemos ignorar que há potencial para isso. Há potencial para que estejamos diante de uma tendência que fuja dos binarismos que têm dominado a política israelense.
De qualquer forma, não há duvidas: os Panteras Negras Israelenses voltaram.
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