Dvir Sorek, estudante e pacifista, é assassinado segurando livro de David Grossman
O estudante Dvir Sorek foi encontrado morto na região de Gush Etzion, na Cisjordânia, na madrugada desta quinta-feira. Segundo as autoridades, o assassinato foi cometido por um membro do grupo terrorista Hamas.
Quando alguém tomba vítima de terrorismo, de racismo ou de xenofobia, muitas vezes a reação, natural e compreensível, é a de fazermos referência à identidade coletiva do grupo que sofreu discriminação ou ataque.
Apesar de compreensível, em algum sentido, essa reação é também uma vitória do assassino. Afinal, é isso que o terrorista quer, apagar as diferenças e impor à força, com sangue, sua vontade.
Por isso, é preciso que lembremos de Dvir Sorek para além da suposta identidade coletiva.
O jovem, de 19 anos, vem de uma família de intelectuais progressistas do sionismo religioso e é filho do autor Yoav Sorek. Mais do que isso, Dvir foi assassinado quando voltava da livraria com livros para dar de presente aos seus professores. Quais livros? Os dois últimos do autor pacifista David Grossman.
Não surpreende. Dvir era um pacifista. Um jovem religioso que tinha hábito de estudar com jovens palestinos religiosos. Um jovem religioso de uma família de pacifistas. O Hamas, hoje, matou um leitor de David Grossman.
Sua morte não deve doer mais ou menos do que a de qualquer outro assassinato, mas devemos entender que o terrorismo mata gente que dialoga, gente que luta pela paz e presenteia professores com livros de David Grossman.
Que sua memória seja abençoada.
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