Nota oficial do IBI sobre declarações de Roberto Alvim

No próximo dia 27 de janeiro, celebraremos o Dia Internacional da Lembrança do Holocausto. Será um momento de homenagear as vítimas e repetir slogans como “Nunca mais” e “Nós lembramos”.
Já é passado o momento, porém, de fazer valer o que é dito.
As últimas horas escancaram uma face do governo brasileiro que alguns preferem não ver; outros, ignorar. Ao anunciar o Prêmio Nacional das Artes, o chefe da Secretaria Especial de Cultura, Roberto Alvim, citou trechos de um discurso do ministro da propaganda Joseph Gebbels ao som de uma ópera de Wagner elogiada por Adolf Hitler no livro Minha Luta.
Não é a primeira vez que referências à estética nazista e flertes com o negacionismo histórico circulam entre os integrantes do governo federal, envolvendo o próprio presidente. Negros, LGBTs, indígenas, mulheres já eram alvo, mesmo antes das eleições.
A demissão do Secretaria Especial de Cultura é imprescindível, mas não suficiente. Alvim deve responder por apologia ao nazismo. Ao mesmo tempo, não é mais possível ficar calado diante dos constantes abusos do governo contra grupos minorizados da sociedade brasileira.
O episódio serve ainda de alerta à comunidade judaica: o de que o suposto apoio dado a Israel pode conviver com discursos antissemitas.
Que possamos transformar a memória do Holocausto numa ferramenta universal que permita atuar na realidade, contra quaisquer formas de discriminação contemporâneas.
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