É falsa a notícia de que o ministro da saúde de Israel disse que coronavírus é castigo divino a gays
No dia 7 de abril, começou a circular nas redes sociais e em alguns veículos de imprensa a informação de que o ministro da saúde de Israel, Yaakov Litzman, teria dito que a epidemia do coronavírus é um “castigo divino a gays”. A notícia é falsa.
O boato parece ter chegado ao Brasil pelo site Pragmatismo Político, a partir de uma tradução e rapidamente se espalhou, chegando até a veículos como IG e Globo.
O ministro foi provavelmente confundido com o rabino israelense Meir Mazuz, famoso por seus posicionamentos radicais. A exemplo de líderes de outras religiões em diversas partes do mundo, tais como o clérigo xiita iraquiano Muqtada al-Sadr ou o pastor evangélico americano Ralph Drollinger, Mazuz culpou os homossexuais pela pandemia. Chamou as Paradas do Orgulho LGBT de “um desfile contra a natureza” e, depois, disse que “quando alguém vai contra a natureza, quem criou a natureza se vinga”. Segundo ele, os países árabes teriam sido “poupados” por não terem “essa inclinação ao mal”, insinuando que não houve casos nesses países, o que também não é verdade.
O rabino foi duramente criticado em Israel. O grupo ortodoxo moderno Ne’emanei Torah Va’Avodah disse que “incitar contra a comunidade LGBT é inaceitável”. Já a ADL, instituição que luta contra a discriminação, afirmou: “É lamentável que em momentos como esse, quando o mundo inteiro se reúna para erradicar o coronavírus, o rabino Mazuz considere apropriado culpar o surto do vírus na comunidade LGBTQ. Condenamos severamente suas declarações e pedimos que ele se desculpe”.
Já o ministro Yaakov Litzman, que foi contaminado pelo novo coronavírus, tem estado à frente das medidas de isolamento social para conter o avanço da doença no país. Já são 9.404 casos e 73 mortes.
O IBI entrou em contato com esses veículos solicitando a correção, o que foi feito.
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