O que pensamos sobre o Plano de Anexação
No contexto dos debates sobre a anexação unilateral de territórios palestinos pelo Estado de Israel, o Instituto Brasil-Israel considera importante expor e explicar o seu posicionamento, já se colocando à disposição para conversas, debates e esclarecimentos complementares.
Nesse sentido:
1. Reafirmamos nossa posição em relação à necessidade de alcançar uma paz justa entre israelenses e palestinos. Cremos que tal paz deve ser alcançada por meio de negociações diretas e reconhecimento mútuo, tendo no horizonte a necessidade da criação de um Estado Palestino independente ao lado do Estado de Israel, em paz, prosperidade e segurança.
2. Vemos com extrema preocupação declarações que defendam a anexação unilateral dos territórios palestinos em qualquer circunstância. O momento em que essa discussão se dá é ainda mais grave. A crise internacional decorrente da pandemia de COVID-19 pode produzir consequências inimagináveis no caso de decisões não negociadas. É hora de se investir na moderação e na responsabilidade. Atitudes de ruptura costumam promover resultados que beneficiam o extremismo e as forças reacionárias, ainda muito ativas no Oriente Médio.
3. Acreditamos na necessidade de que israelenses e palestinos debatam diretamente suas futuras fronteiras. Esse processo, sabemos, é difícil e complexo e, por isso, demorado e gradual. Ainda mais em um mundo de instabilidades múltiplas.
4. Em termos regionais, a anexação unilateral pode produzir prejuízo nas relações entre o Estado de Israel e países árabes com os quais vem aumentando seus contatos e normalizando suas relações.
5. No que se refere aos palestinos, a decisão unilateral pode causar enfraquecimento e dissolução da Autoridade Nacional Palestina, com o consequente fortalecimento do Hamas, com mais violência e atos terroristas.
6. A Jordânia, parceira estratégica para Israel, poderia ter seu regime desestabilizado e comprometer a estreita colaboração de segurança com Israel.
7. No cenário internacional mais amplo, a anexação unilateral pode produzir uma série de retrocessos nas relações entre Israel, a Comunidade Europeia e os EUA, além de contribuir sobremaneira para o fortalecimento de grupos que deslegitimam o Estado Judeu. Esses grupos, enfraquecidos ultimamente, receberiam uma justificativa para o aumento de suas atividades.
8. Internamente e nas relações com a diáspora judaica, a anexação unilateral pode produzir tensionamentos inéditos entre os diversos grupos da sociedade israelense e judeus do mundo. Daria poder a setores extremistas e messiânicos, enfraquecendo a democracia israelense.
9. A ideia de anexação unilateral é uma aventura inútil e perigosa. Esperamos que o governo de Israel reconsidere tais planos.
10. Entre palestinos e israelenses, judeus e árabes, há setores amplos das populações comprometidos com a paz e a democracia. Tais setores devem estar engajados em constante diálogo para que a sedução de soluções simplórias e antidemocráticas saiam definitivamente das mesas.
Artigos Relacionados
E eu com isso? #257 O que é um judeu religioso
15 de fevereiro de 2024
Quando um judeu diz que é religioso, automaticamente, muito pensam em um homem vestido de preto, com um chapéu, uma barba branca longa, que reza em uma sinagoga onde homens e mulheres rezam separados. Ele, provavelmente, é um religioso. Mas é o único? Pra tentar desmitificar esse assunto e tentar ampliar o escopo do que […]
Semelhança de Porta dos Fundos e HaYehudim Baim
20 de dezembro de 2019
Está dando o que falar o vídeo “A Primeira Tentação de Cristo”, especial de Natal do Porta dos Fundos na Netflix. Ao contrário do que muita gente pensa, em Israel, é comum fazer humor com histórias bíblicas. O programa mais conhecido é o HaYehudim Baim (“Os judeus estão chegando”) e a boa notícia é que vários vídeos do […]
A trajetória de Paul Singer no movimento sionista-socialista Dror
16 de abril de 2018
Economista foi militante ativo entre os anos de 1948 a 1952, período que marcou profundamente a sua vida.