Congresso Sionista de 2020 tem condições inéditas
21 out 20

Congresso Sionista de 2020 tem condições inéditas

Para quem não sabe, está em andamento o 38° Congresso da Organização Sionista Mundial. Pela primeira vez na história, por conta do contexto de pandemia, o congresso acontece de forma virtual. Mas não é só isso que transforma o congresso de 2020 em inédito. 

Fundado em 1897, os encontros têm sido marcados pela formação de amplas coalizões das diversas correntes do Movimento Sionista. E apesar de serem comuns rachas e disputas, pode-se dizer que, ao menos desde a fundação do Estado de Israel, em 1948, não aconteceu nada parecido com o que vemos agora. 

O Congresso se caracteriza por ser a plenária mundial dos judeus sionistas do mundo inteiro. Esquerda, direita, centro; religiosos e seculares, todos se reúnem para determinar o destino do movimento durante o ano seguinte. O esforço de incluir em uma ampla coalizão todos os grupos é uma das chaves para manter o movimento relevante. Ao contrario do que acontece na politica israelense, o Movimento Sionista se esforça para formar a mais ampla coalizão possível.

Esse ano, porém, está tudo diferente. O partido Likud, à direita do espectro político, trouxe para o congresso um setor historicamente ausente: grupos ultraortodoxos norte americanos. Fortes opositores do Movimento Sionista, eles não faziam parte do Congresso. Porém, a partir de uma articulação feita pelo Likud, os ultraortodoxos tiveram, surpreendentemente, uma atitude pragmática e elegeram diversos delegados e formaram uma coalizão que exclui grupos liberais e da esquerda historicamente ligada ao Movimento. 

Nesse contexto, cerca de 80% dos judeus do mundo estariam excluídos das decisões. Entidades como o fundo nacional judaico, estruturas educacionais e femininas, passariam a ser controlados por antissionistas, e judeus reformistas, conservadores, liberais e de esquerda teriam menos verbas para suas entidades, maiores e historicamente vinculadas ao nacionalismo judaico.

Ao que parece, a polarização e a divisão da sociedade israelense chegou ao Movimento Sionista e pode estar colocando à margem a maioria dos judeus no mundo. Se não chegarem a um acordo nos próximos dias, poderemos ter um racha histórico no Movimento. O primeiro em 70 anos.

Artigos Relacionados


EDITORIAL: Terrorismo, racismo e diversidade

Calendar icon 31 de agosto de 2017

Os conflitos mundiais não mais se organizam por oposições tão claras como aquelas dos tempos da Guerra Fria (comunismo versus capitalismo; ocidente versus oriente, etc.), ou como aquelas que opunham cristãos e muçulmanos, Europa e mundo árabe. Em certa medida, vivemos no chamado “mundo plural”, em que a ideia da diversidade tornou-se a tônica dos […]

Arrow right icon Leia mais

Filmes israelenses na 41ª Mostra Internacional de Cinema de SP

Calendar icon 18 de outubro de 2017

Confira os cinco títulos de Israel em cartaz no festival

Arrow right icon Leia mais

E eu com isso? #120 Orgulho: judeu, rabino e gay

Calendar icon 21 de junho de 2021

Arrow right icon Leia mais