“O melhor que podemos esperar não é alcançar a paz, mas gestar a geração que poderá alcançá-la” diz Micah Goodman
22 out 20

“O melhor que podemos esperar não é alcançar a paz, mas gestar a geração que poderá alcançá-la” diz Micah Goodman

No último domingo, dia 18 de outubro, a CIP – Congregação Israelita Paulista e o IBI – Instituto Brasil Israel convidaram o filósofo israelense, Micah Goodman, para um debate sobre polarização política, a partir de seu livro “O impasse de 1967: a esquerda e a direita em Israel e o legado da Guerra dos Seis Dias”, recém-publicado no Brasil pela editora É Realizações. A conversa entre Goodman e o professor da FGV EAESP, Guilherme Casarões, teve mediação de Ana Clara Buchmann e foi conduzida em inglês, contando com tradução simultânea.

Micah Goodman explicou que as conquistas territoriais de Israel durante a guerra de 1967 teriam sido interpretadas como um milagre de dimensões bíblicas por parte do público, “dando carisma à versão messiânica da direita israelense”, uma tendência que Guilherme Casarões enxerga também na direita cristã brasileira e norte-americana. Apesar de tanto o primeiro-ministro Benjamin “Bibi” Netanyahu, como seu partido, o Likud, serem seculares e liberais, para Goodman, “Bibi é um dos políticos mais talentosos do mundo. Mesmo ele não sendo messiânico, ele vê isso acontecendo e está lá para dar voz e se aliar a essas forças”. 

Já à esquerda israelense faltaria, hoje, uma grande ideia condutora. Países que lutaram contra Israel na Guerra dos Seis Dias foram apoiados pela União Soviética, o que ajudou a enfraquecer o ideal socialista dentro dos movimentos de esquerda em Israel. “A paz substituiu o socialismo” como ideal condutor. Contudo, após a Segunda Intifada, “a paz foi quebrada, e, com ela, a esquerda israelense”.

O impasse entre esquerda e direita com relação ao conflito Israel-Palestina é que a direita acreditaria que o fim da ocupação da Cisjordânia traria riscos para o futuro de Israel, enquanto a esquerda acreditaria que manter a ocupação comprometeria esse futuro. Para Goodman, contudo, “não podemos solucionar o conflito, mas mesmo assim há muito que podemos fazer”. O que precisamos, segundo ele, “não é utopia e nem passividade. É encolher o conflito, o que significa tratar o conflito da mesma forma como tratamos quase todos os nossos problemas: sem uma falsa dicotomia”. 

Na segunda parte do encontro, convidados trouxeram perguntas e provocações quanto à polarização vivida hoje não só em Israel e no Brasil como em boa parte do mundo. Segundo Goodman, a rapidez com que as informações circulam atualmente, e as redes sociais, que monetizam nossa atenção, são alguns dos responsáveis pela crise na democracia. No encontro com quem pensa diferente de nós, “precisamos mudar do julgamento para a curiosidade. Isso não significa concordar, não significa aceitar. Precisamos nos proteger da tecnologia e ressuscitar a curiosidade”.

Assista ao debate na íntegra em inglês ou em português.

Artigos Relacionados


Diálogos Literários Brasil-Israel | Humor em tempos sombrios

Calendar icon 14 de dezembro de 2020

Arrow right icon Leia mais

Reflexões de Iom Kipur com crianças

Calendar icon 11 de outubro de 2019

Acabamos de passar por Iom Kipur.  Esse é um daqueles dias que nos faz refletir sobre infinitas coisas, inclusive sobre a nossa relação com a religião, a culpa e o ato de perdoar. É interessante que, daqui a alguns dias, chegará Sucót, uma festa judaica em que o mandamento, a mitzvá (boa ação), é ficar […]

Arrow right icon Leia mais

Uma coalizão inédita vai terminar com a era Bibi? Possíveis cenários na política israelense

Calendar icon 10 de maio de 2021

Arrow right icon Leia mais