Como o judaísmo vê a morte
Num momento em que a morte está tão banalizada, é importante refletir sobre o luto e o seu significado. Passamos hoje por uma crise política, sanitária e humanitária em que pessoas se tornaram apenas mais um número, e a responsabilidade com a vida ficou para segundo plano.
Mas como o judaísmo encara a morte? Existe a ideia de vida no pós-morte? Como é feito um enterro judaico? E o que fazem aqueles que ficam quando um ente querido se vai?
Amanda Hatzyrah e Anita Efraim conversaram com o rabino Ruben Sternschein, que integra o rabinato da CIP desde 2008, é mestre em Filosofia Judaica pela Universidade Hebraica de Jerusalém e também doutor em Filosofia Judaica pela USP. Ele contou que o conceito de “Nefesh” no judaísmo é a unidade do indivíduo: corpo e alma. A morte é um separação destas partes.
Para Sternschein, é importante homenagear quem já se foi através das memórias. “Estamos acostumados a pensar que a memória é uma viagem ao passado. É verdade, mas não é a única parte da memória. Na minha opinião e na minha experiência rabínica, de acompanhar muitos lutos, existe algo que eu, pessoalmente, chamo de memória futura. A pessoa [de luto] faz o seguinte exercício: o que diria meu avô falecido diante dessa nova situação?” diz Sternschein. “Você cria um espaço, no presente e no futuro, para alguém que já não está e, assim, a memória se torna presente e futuro também, não somente passado. Desse modo, você não fica preso no passado e você não deixa a pessoa falecida presa no passado. Você dá uma continuidade, ‘pós-vida’ à vida.”
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