<strong>Por que a proposta de reforma jurídica que avança em Israel mexe com a democracia no país?</strong>
16 fev 23

Por que a proposta de reforma jurídica que avança em Israel mexe com a democracia no país?

A reforma jurídica em Israel tem pautado o debate político no país. Proposta por Yariv Levin, ministro da Justiça de Benjamin Netanyahu, a mudança no sistema judiciário tem três pontos centrais e que afetam diretamente a democracia do país. A seguir, o Instituto Brasil-Israel (IBI) detalha:

Escolha de juízes que compõe a Suprema Corte

Hoje, em Israel, os magistrados que compõem a Corte mais alta do país são escolhidos por um grupo de nove pessoas: três juízes da Suprema Corte, dois representantes da Ordem dos Advogados de Israel e quatro membros eleitos, sendo dois parlamentares da Knesset e dois ministros. Para que uma nomeação seja concluída, sete dos nove membros devem estar de acordo.

O que mudaria? Com a proposta de Benjamin Netanyahu, o legislativo e o executivo passariam a ter mais poder. Seriam 11 membros no colegiado: três juízes da Suprema Corte, quatro membros eleitos e, no lugar dos representantes da Ordem dos Advogados de Israel, dois “representantes públicos” escolhidos pelo ministro da Justiça. Com essa fórmula, a coalizão que está no poder teria maior influência.

Princípio da razoabilidade

Como forma de contrabalancear a força do executivo e do legislativo, existe hoje um artifício na Suprema Corte chamado “princípio da razoabilidade”. Os juízes, ao tomarem decisões, podem usar essa argumentação, com base no que é ou não é razoável, a partir do entendimento de segurança pública e interesses da sociedade. Essa cláusula foi acionada, por exemplo, ao analisar o caso de Aryeh Deri, nomeado por Benjamin Netanyahu para ser ministro da Saúde. Por ter sido condenado criminalmente, a Corte entendeu que não seria razoável que Deri ocupasse o cargo de ministro e, por isso, vetou a indicação.

O que mudaria? A reforma jurídica de Netanyahu pretende acabar com a possibilidade de utilização dessa argumentação.

Revisão Judicial e a Cláusula de Substituição

Em Israel, o poder Judiciário pode revisar e até anular legislações aprovadas pelo parlamento (Knesset), sob a alegação de que a medida é “inconstitucional” – apesar de o país não ter uma constituição, existem “Lei Básicas”, que têm o peso de uma carta magna.

Com maioria simples, os ministros conseguem, então, derrubar decisões da Knesset. Isso acontece mesmo que os grupos que analisam a decisão sejam turmas menores, em vez de todo o plenário deliberar sobre o tema.

O que mudaria? A mudança mais importante é que o Knesset conseguiria substituir decisões da Suprema Corte com uma maioria simples de votos: 61 dos 120 parlamentares. Com isso, qualquer coalizão poderia vetar medidas do tribunal, já que, para formar governo é preciso ter a maioria simples do parlamento.

Além disso, a reforma pretende mudar a fórmula para que a Corte pudesse declarar uma lei ilegal. Seria preciso que todos os 15 juízes deliberassem sobre o assunto e 12 concordassem, em vez de uma maioria simples.

O que torna a situação ainda mais complexa

Israel não tem uma constituição. Não há documentos oficiais que definam as bases legais do país, ou seja, não há regras que ditem a forma correta de jogar o jogo.

O primeiro parlamento deveria ter criado uma constituição, que seria usada a partir da segunda legislação. No entanto, as cláusulas pétreas do país nunca foram efetivamente definidas, nem pela primeira Knesset, nem nunca. O principal motivo foi o desentendimento entre os membros da comissão responsável por redizir a constituição.

O país tem 12 leis básicas, mas que podem ser sobrepostas por decisões do parlamento – ou seja, não tem status de constituição.

Durante 75 anos, o sistema funcionou, mesmo sem uma carta magna. Com a reforma jurídica proposta por Benjamin Netanyahu e a desconfiança crescente em relação à Suprema Corte, acusada de ser “militante”, a situação se agravou.

O momento é delicado e tem mobilizado cada vez mais pessoas em manifestações contrárias à reforma em diversas cidades do país, fazendo a tensão crescer ainda mais na região.

Artigos Relacionados

IBI oferece oficina sobre antissemitismo em SP
IBI oferece oficina sobre antissemitismo em SP

Calendar icon 12 de abril de 2024

Antissemitismo hoje: o que é e como lidar? O que é o antissemitismo? Quais suas formas de expressão? O antissemitismo tem a ver comigo? Como identificar um antissemita? Como lidar com um caso de antissemitismo?  O Instituto Brasil-Israel oferece de forma gratuita três oficinas sobre antissemitismo em São Paulo. A iniciativa busca oferecer capacitação e […]

Arrow right icon Leia mais
Participantes do IBI no Campus promovem o debate “De Yom Yerushalaim a Nakba”
Participantes do IBI no Campus promovem o debate “De Yom Yerushalaim a Nakba”

Calendar icon 14 de maio de 2021

Michel Gherman coordena debate com Karina Calandrin, Íris Kantor e Omar Thomaz

Arrow right icon Leia mais
11 Dicas de compras para aproveitar a 24ª festa do livro da USP
11 Dicas de compras para aproveitar a 24ª festa do livro da USP

Calendar icon 9 de novembro de 2022

A Festa do Livro da USP volta a ser presencial na 24ª edição! Diversas editoras se reúnem na Universidade de São Paulo, com centenas de títulos com descontos especiais. O evento acontece entre os dias 9 e 12 de novembro na Cidade Universitária, de quarta a sexta das 9h às 21h e no sábado das 9h […]

Arrow right icon Leia mais