Quem são os proxies do Irã e como estão envolvidos na guerra contra Israel
Revital PolegApós o início da guerra e a eliminação da cúpula da liderança iraniana, as organizações do Eixo Xiita reagem com uma combinação de condenações severas, mensagens de luto e declarações sobre a continuação da luta. No entanto, a maioria delas evita, neste estágio, uma adesão ativa à campanha.
Hezbollah (Líbano): Adesão à guerra
Já na segunda-feira (02/03), o Hezbollah juntou-se à guerra, em uma decisão resultante – ao que se sabe – de forte pressão iraniana. Isso ocorreu apesar do apelo enfático do primeiro-ministro do Líbano para evitar uma resposta e uma proibição total de atividades militares da organização. Como esperado, o compromisso do Hezbollah com o Irã prevaleceu sobre sua lealdade ao Estado libanês, levando a uma resposta israelense firme e abrangente, que continua a se intensificar.
Hamas e Jihad Islâmica (Gaza): Apenas apoio moral
Ao lado da expressão de solidariedade e do apelo à unidade islâmica, o Hamas deixou claro que “não tem nada a oferecer” militarmente neste momento, diante da situação destruída e exaurida da Faixa. Alguns porta-vozes chegaram a afirmar que a liderança iraniana valoriza a posição deles e não busca sobrecarregá-los com um fardo adicional após o longo período de combates em Gaza. A organização descarta a abertura de uma frente ativa ou disparos organizados contra Israel (também devido ao desgaste das capacidades de foguetes de médio e longo alcance), focando na sobrevivência: líderes seniores passaram à clandestinidade, as medidas de segurança foram reforçadas por medo de assassinatos seletivos israelenses, e há um aumento do destacamento dos mecanismos de segurança interna.
Houthis: Posição de espera
A liderança Houthi publicou mensagens de apoio e condenou a eliminação de Khamenei, mas absteve-se de uma declaração oficial sobre a retomada dos ataques no Mar Vermelho ou o lançamento de mísseis contra Israel. A organização acompanha de perto os desdobramentos regionais e declarou que decidirá sobre sua entrada em um confronto direto de acordo com a evolução da situação em campo. Os Houthis afirmaram acreditar que o Irã está em uma posição de força e lidera a luta de toda a nação islâmica.
Milícias no Iraque: Atividade agressiva local
Segundo fontes nas milícias, a interrupção das atividades contra alvos americanos e israelenses não está em pauta. Algumas das milícias que integram a organização guarda-chuva iraquiana adotaram uma linha ativa e realizaram vários ataques contra alvos americanos no Iraque, assumindo a responsabilidade publicamente.
Milícias na Síria: Retórica
A organização “Frente de Resistência Islâmica na Síria” define o confronto como um “dever religioso” e não uma escolha. A organização convocou a preparação para um confronto esperado com Israel a fim de frear o que chama de “projeto de expansão sionista”, mas, neste estágio, permanece apenas nos limites da retórica.
Deve-se estimar que este cenário poderá mudar conforme os desdobramentos em campo e a eventual decisão de expandir as frentes de combate, a exemplo do que ocorreu com o Hezbollah. É de se esperar que, caso a pressão aumente, Teerã exija que seus demais ‘proxies’ cumpram seu papel na missão, invocando o vultoso investimento realizado neles ao longo de anos. Nesse contexto, é provável que os próximos a aderir sejam os Houthis.
Foto: Pixabay
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