Há diversas formas de se queimar a bandeira de Israel
20 abr 20

Há diversas formas de se queimar a bandeira de Israel

Há diversas formas de se queimar a bandeira de Israel.

De um lado, de forma literal, ateando fogo, como fizeram mais de uma vez setores sectários da esquerda brasileira.

De outro lado, há formas metafóricas de se queimar a flâmula israelense, como usá-la em manifestações com as quais não tem nenhuma relação.

Se queimando a bandeira, de maneira literal, vemos fumaça e cinza, ao fazê-lo de forma metafórica os prejuízos podem ser menos visíveis num curto prazo, mas são tão graves quanto.

Nesse último domingo, em diversas cidades brasileiras, a bandeira de Israel foi vilipendiada e queimada em manifestações organizadas pela extrema-direita. Nos atos de cunho antidemocrático e com exaltações à ditadura militar e ao AI-5, saltava aos olhos a bandeira azul e branca.

Os manifestantes, no entanto, hasteavam uma Israel imaginária, com pouquíssima relação com a Israel real – diversa, complexa e contraditória. Ignoravam as conquistas feministas, os direitos LGBT’s e outros tantos que colocam a Israel contemporânea a milhares de quilômetros das agendas defendidas por grupos extremistas nas ruas do Brasil.

Mas não é somente isso.

A utilização da bandeira do Estado judeu em atos que pedem a volta do AI-5 deturpa e ofende a memória de Ana Rosa Kucinski, de Iara Iavelberg, de Vlado Herzog e de todos os outros judeus mortos e torturados pela ditadura.

Ainda pior, essas bandeiras foram erguidas na véspera do Yom HaShoá (Dia de Lembrança do Holocausto), desrespeitando a memória dos judeus e das judias que, segurando a bandeira com a Estrela de David, resistiram aos nazistas e lutaram por um mundo mais democrático e justo.

Curiosamente, esses atos no Brasil aconteceram justamente quando milhares de Israelenses erguiam as mesmas bandeiras em Tel-Aviv, mas defendendo um Estado de Direito e democrático.

Seria mais interessante se essa Israel fosse levada em consideração.

Artigos Relacionados


“Correntes liberais democráticas estão perdendo terreno no mundo”, afirma Tito Milgram

Calendar icon 15 de janeiro de 2019

Entrevista com brasileiro que trabalho por 30 anos no Museu do Holocausto

Arrow right icon Leia mais

Alon Feuerwerker: Jerusalém Ocidental não é e não será objeto de negociação na busca de um acordo de paz definitivo

Calendar icon 7 de dezembro de 2017

Jornalista comenta a mudança da embaixada dos EUA de Tel Aviv para Jerusalém

Arrow right icon Leia mais

Pesquisa mostra que a maioria dos judeus israelenses não apoia a anexação de territórios da Cisjordânia

Calendar icon 15 de maio de 2020

Uma pesquisa divulgada ontem mostrou que a maioria dos judeus israelenses não apoia a anexação de territórios da Cisjordânia, como o primeiro-ministro, Benjamin Netanyahu, ameaça fazer. O levantamento revela que apenas 26% apoia a anexação, enquanto 40% preferem uma solução permanente de dois Estados. 22% são a favor da saída unilateral e 13% estão satisfeitos […]

Arrow right icon Leia mais