“O melhor que podemos esperar não é alcançar a paz, mas gestar a geração que poderá alcançá-la” diz Micah Goodman
No último domingo, dia 18 de outubro, a CIP – Congregação Israelita Paulista e o IBI – Instituto Brasil Israel convidaram o filósofo israelense, Micah Goodman, para um debate sobre polarização política, a partir de seu livro “O impasse de 1967: a esquerda e a direita em Israel e o legado da Guerra dos Seis Dias”, recém-publicado no Brasil pela editora É Realizações. A conversa entre Goodman e o professor da FGV EAESP, Guilherme Casarões, teve mediação de Ana Clara Buchmann e foi conduzida em inglês, contando com tradução simultânea.
Micah Goodman explicou que as conquistas territoriais de Israel durante a guerra de 1967 teriam sido interpretadas como um milagre de dimensões bíblicas por parte do público, “dando carisma à versão messiânica da direita israelense”, uma tendência que Guilherme Casarões enxerga também na direita cristã brasileira e norte-americana. Apesar de tanto o primeiro-ministro Benjamin “Bibi” Netanyahu, como seu partido, o Likud, serem seculares e liberais, para Goodman, “Bibi é um dos políticos mais talentosos do mundo. Mesmo ele não sendo messiânico, ele vê isso acontecendo e está lá para dar voz e se aliar a essas forças”.
Já à esquerda israelense faltaria, hoje, uma grande ideia condutora. Países que lutaram contra Israel na Guerra dos Seis Dias foram apoiados pela União Soviética, o que ajudou a enfraquecer o ideal socialista dentro dos movimentos de esquerda em Israel. “A paz substituiu o socialismo” como ideal condutor. Contudo, após a Segunda Intifada, “a paz foi quebrada, e, com ela, a esquerda israelense”.
O impasse entre esquerda e direita com relação ao conflito Israel-Palestina é que a direita acreditaria que o fim da ocupação da Cisjordânia traria riscos para o futuro de Israel, enquanto a esquerda acreditaria que manter a ocupação comprometeria esse futuro. Para Goodman, contudo, “não podemos solucionar o conflito, mas mesmo assim há muito que podemos fazer”. O que precisamos, segundo ele, “não é utopia e nem passividade. É encolher o conflito, o que significa tratar o conflito da mesma forma como tratamos quase todos os nossos problemas: sem uma falsa dicotomia”.
Na segunda parte do encontro, convidados trouxeram perguntas e provocações quanto à polarização vivida hoje não só em Israel e no Brasil como em boa parte do mundo. Segundo Goodman, a rapidez com que as informações circulam atualmente, e as redes sociais, que monetizam nossa atenção, são alguns dos responsáveis pela crise na democracia. No encontro com quem pensa diferente de nós, “precisamos mudar do julgamento para a curiosidade. Isso não significa concordar, não significa aceitar. Precisamos nos proteger da tecnologia e ressuscitar a curiosidade”.
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