A.B. Yehoshua: questionar a solução de dois Estados é uma obrigação moral
Depois de 50 anos apoiando a solução de dois Estados para o conflito Israel-Palestina, o escritor A.B. Yehoshua apresentou, em artigo para o jornal Haaretz, questionamentos em relação à sua viabilidade, diante da “sombria realidade da Cisjordânia”.
Ele acredita que “a abundância de assentamentos e a anexação de Jerusalém Oriental destruíram a possibilidade de uma divisão razoável e justa da Terra de Israel entre os dois povos”.
A solução seria, assim, um Estado binacional. “Eu não espero a visão de profetas da paz, que nunca existiu na história judaica, mas sim um status quo humano que forneça cidadania para todos”, defende. “[Os palestinos] são nativos neste país, há gerações. A maioria deles sabe hebraico e entende e participa dos códigos culturais israelenses. Uma parceria mutuamente benéfica poderia ser criada com eles”.
Yehoshua, no entanto, é pragmático. “Não nos esqueçamos de que esses planos são apenas tentativas de nos libertar do atoleiro moral em que estamos afundando”, disse. “[Mas] se uma força política pudesse provar para mim em palavras e de fato que é possível, afinal, se separar em dois Estados, de uma forma oficialmente aceitável para ambos os lados, eu perseguiria isso com fogo e água”, concluiu.
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