EDITORIAL: Não é pelos detectores de metal
Jerusalém voltou a ser foco de violência, nos últimos dias. A tensão começou quando três cidadãos árabes de Israel assassinaram dois policiais israelenses de origem drusa em uma das entradas do Monte do Templo/Esplanada das Mesquitas. Em resposta ao atentado, o governo do país instalou detectores de metais e outros dispositivos de segurança nos acessos do local, que é sagrado tanto para judeus como para muçulmanos.
Esse foi o estopim para uma violenta revolta palestina que resultou em choques com a polícia israelense e já deixou mortos e dezenas de feridos.
Entre israelenses e palestinos, existem diferentes percepções sobre os motivos pelos quais os detectores de metal foram instalados.
Para autoridades de Israel, as medidas são importantes para evitar atentados e garantir a segurança de seus cidadãos e demais frequentadores, independentemente de nacionalidade, credo ou religião. Além disso, seguem padrão já adotado em diversos locais da cidade, assim como em outros lugares do mundo considerados potenciais alvos de ataque.
Para setores da população palestina, entretanto, a implementação dos dispositivos visa apenas aumentar o controle israelense sobre a região, que é reivindicada como capital de seu futuro Estado.
Há, ainda, motivos menos manifestos que impulsionam os embates.
Discursos de liderancas palestinas e muçulmanas, assim como gritos nas ruas da cidade, revelam que parte dos protestos é motivada pela recusa da presença judaica na região – e em última instância, pela não aceitação da própria existência do Estado de Israel.
Já pelo lado israelense e judaico, setores minoritários defendem abertamente a necessidade de mudança no status quo e a conquista do Monte do Templo/Espalanada das Mesquitas.
A continuidade dos confrontos mesmo após a retirada dos detectores de metal reforça a tese de que estes são apenas o mais novo pretexto para a violência, que resulta de questões não resolvidas no âmbito do conflito Israel-palestino.
Nesse sentido, medidas pontuais podem até dissipar as tensões. Mas a solução de longo prazo deve considerar aspectos mais amplos que envolvam as necessidades de segurança de Israel, a criação de um Estado Palestino e o abandono de perspectivas exclusivistas de parte a parte.
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