Noite dos Cristais pavimentou caminho para o Holocausto
10 nov 18

Noite dos Cristais pavimentou caminho para o Holocausto

Há 80 anos, na noite de 9 para 10 de novembro de 1938, milícias nazistas e a população civil alemã lançaram um covarde ataque contra estabelecimentos e pessoas judias.

A ordem partiu do governo. Um telegrama assinado pelo chefe da segurança nazista, Reinhard Heydrich, deu as instruções aos líderes do partido e das polícias locais para as manifestações que se seguiriam.

Com o assunto “Medidas contra os judeus hoje” e carimbo de “secreto”, o documento dizia:

“Apenas ações que não ameacem vidas e propriedades alemãs podem ser realizadas (por exemplo, incêndios de sinagogas quando não houver ameaça de fogo nos arredores). Lojas e residências de judeus podem ser destruídas mas não saqueadas. Cuidado especial deve ser tomado em ruas comerciais para que negócios de não judeus sejam completamente protegidos de danos. O máximo de judeus, particularmente judeus afluentes, deve ser preso em todos os distritos o tanto quanto puder ser acomodado nas instalações de detenção existentes. Por enquanto, apenas homens saudáveis, de idade não muito avançada, devem ser detidos. Imediatamente após as prisões serem realizadas, os campos de concentração apropriados devem ser contatados para que os judeus sejam acomodados o mais rapidamente possível”.

O episódio ficou conhecido como “Noite dos Cristais”, devido à quantidade de vidraças de lojas que ficaram pelas calçadas.

Ao todo, 91 pessoas foram mortas, mais de mil sinagogas destruídas e milhares de cemitérios, casas e escolas judaicas vandalizadas na Alemanha, na Áustria e na Tchecoslováquia.

Trinta mil judeus foram detidos, a maioria levada a campos de concentração.

Os agressores eram muitas vezes vizinhos ou conhecidos das vítimas. E, como se não bastasse, a comunidade judaica alemã foi responsabilizada pelos prejuízos, recebendo uma multa coletiva.

Historiadores, hoje, afirmam que a determinação para o pogrom alemão foi estratégica. Governo e partido pretendiam avaliar a reação a atos de violência abertos. Com a indiferença e mesmo a colaboração de setores majoritários da sociedade, as autoridades se sentiram mais seguras para avançar na direção de um plano contra judeus na Europa.

[com informações da Folha de S. Paulo]

Artigos Relacionados


Playlist da semana: Músicas israelenses sobre o inverno

Calendar icon 31 de julho de 2020

Curadoria de Caroline Beraja

Arrow right icon Leia mais

Daniel Golovaty trata das simetrias e assimetrias no conflito entre israelenses e palestinos

Calendar icon 26 de setembro de 2018

Historiador e psicanalista ministrou a 6ª aula do curso de formação do IBI em São Paulo

Arrow right icon Leia mais

Entre Levinas e Leibowitz: Israel, Sionismo e o Povo Judeu

Calendar icon 20 de agosto de 2020

Levinas e Leibowitz eram pensadores de seus mundos. Vindos, respectivamente, da França e da Alemanha, ambos eram filhos do Holocausto. Muito influenciados pela cultura europeia, ambos eram profundamente e radicalmente judeus. Tanto Levinas, quanto Leibowitz, pensaram suas relações com D’us, com o povo judeu e com a humanidade e o humanismo. Em tempo de valores […]

Arrow right icon Leia mais