A governadora interina de Santa Catarina, Daniela Reinehr, não foi capaz de responder se concorda com ideias neonazistas
02 nov 20

A governadora interina de Santa Catarina, Daniela Reinehr, não foi capaz de responder se concorda com ideias neonazistas

Primeiro, a governadora interina de Santa Catarina, Daniela Reinehr, não foi capaz de responder se concorda com ideias neonazistas e negacionistas sobre o Holocausto.

Depois, em artigo publicado hoje na Folha de S. Paulo, com o objetivo de esclarecer a questão, limitou-se a dizer: “Não compactuo com o nazismo, assim como rechaço qualquer regime, movimento ou ideologia totalitária que atente contra as instituições democráticas”.

Sobre o pai, afirmou: “Respeito meu pai. Não concordo com seu posicionamento em relação ao nazismo e à relativização do processo histórico. Mas o amo como filha. E… é preferível não tocar em determinados assuntos a escolher o caminho do embate”.

Finalmente, para afastar a acusação de antissemitismo, fez menção a uma viagem a Israel, em novembro de 2018.

O Embaixador de Israel no Brasil, Yossi Shelley, que não havia se manifestado antes, mostrou-se satisfeito com a postura de Reinehr.

Diante disso, vamos pontuar o seguinte:

1) Equiparar o nazismo com qualquer outro “regime, movimento ou ideologia totalitária que atente contra as instituições democráticas” é relativizá-lo. Uma forma de negacionismo histórico. Significa incluí-lo no rol dos horizontes políticos dos quais se é possível concordar ou discordar, como se fosse questão de opinião.

2) A governadora não deve responder pelas posições de seu pai. Mas se a relação parental se impõe a ponto de inviabilizar uma condenação pública e inequívoca do nazismo, a questão familiar deixa de ser de foro íntimo e precisa ser exposta.

3) Da governadora interina esperamos não apenas discordância, mas a afirmação de que as declarações de seu pai são mentirosas, irresponsáveis e ignoram o destino das milhões de pessoas que sofreram e padeceram com o nazismo.

4) Dos representantes do Estado de Israel, país criado sob as cinzas do Holocausto, esperamos o mais enérgico repúdio às relativizações de quem quer que seja. Nunca é demais lembrar: vínculos com o país não são um salvo-conduto para o antissemitismo.

Num momento em que discursos como esses ressurgem no Brasil e no mundo, se impõe o compromisso permanente de luta contra o nazismo e todas as formas de discriminação.

Artigos Relacionados


43a Mostra Internacional de Cinema: Amos Gitai

Calendar icon 21 de novembro de 2019

Arrow right icon Leia mais

IBI dá palestra a integrantes do Noam

Calendar icon 12 de junho de 2018

A Juventude Judaica Massorti da Comunidade Shalom recebeu o Instituto Brasil-Israel no último sábado, 09/06, para uma palestra sobre temas envolvendo o Estado de Israel e a disputa de narrativas.   O cientista social Daniel Douek começou o bate-papo lembrando o massacre de Hebron, de 1929. “O episódio é considerado um dos marcos iniciais da violência […]

Arrow right icon Leia mais

“Nunca me contaram” ou a história inteminável dos comentários de Seth Rogen sobre Israel

Calendar icon 5 de agosto de 2020

Por Leonel Caraciki

Arrow right icon Leia mais