Samuel Feldberg: Trump deixa aberta a porta para a instalação de uma capital Palestina em Jerusalém Oriental
IBICom objetivo de enriquecer o debate e honrar seu espaço democrático, o IBI convidou colaboradores a responderem perguntas sobre a transferência da embaixada americana para Jerusalém e o futuro da região.
Confira o que Samuel Feldberg, professor de Relações Internacionais da USP, Research Fellow do Centro Moshe Dayan da Universidade de Tel Aviv e do Israel Studies Institute da Universidade Brandeis, tem a dizer:
Há quem diga que esse movimento dos EUA coloca uma pá de cal em negociações de paz que poderiam acontecer. Seria um passo atrás na solução de dois estados?
Trump deixa claro que continua válido o conceito de dois estados ainda que, como bem lembrou Tzipi Livni, tenha deixado de fora “para dois povos” o que é fundamental para cimentar a legitimidade do conceito do lar nacional judaico.
A extrema direita israelense vê a declaração como uma ameaça: o posicionamento de Trump blinda sua legitimidade como aliado israelense o que lhe poderia permitir fazer exigências se quisesse pressionar para uma retomada das negociações com os palestinos. Ainda não está claro que preço este governo irá pagar pela declaração de Trump.
Acredita que essa mudança pode dar início a uma nova onda de violência entre israelenses e palestinos?
As lideranças palestinas vem anunciando uma onda de violência. O Hamas e a Jihad Islâmica abertamente, o Fatah dando a entender que pode haver um engajamento da população contra a decisão. A prova será na sexta feira na saída das mesquitas após a reza. O Departamento de Estado norte-americano já alertou para que o staff do consulado em Jerusalém não vá à cidade velha de Jerusalém e não visite locais sujeitos a tumultos.
Há quem afirme que essa decisão é apenas um reconhecimento histórico. Você concorda?
A decisão é um aval de uma resolução unânime do senado dos EUA cuja implementação vinha sendo adiada pela presidência. E reconhece o vinculo histórico ancestral do povo judeu com a cidade de Jerusalém. Importante notar que Trump menciona explicitamente que as fronteiras da cidade serão definidas através de negociação entre os dois lados, deixando aberta a porta para a instalação de uma capital palestina em Jerusalém Oriental.
Outro aspecto importante refere-se à reações de Abbas, que vociferou contra a decisão, declarou que os EUA já não podem ser vistos como mediador, mas não tomou nenhuma decisão importante como conclamar a violência (pelo contrario) ou ameaçar interromper as colaborações de segurança com Israel.
Artigos Relacionados
O plano de Netanyahu parece estar saindo dos trilhos
30 de janeiro de 2018
Deportação de requerentes de asilo encontra resistência na sociedade israelense
Religião, comportamento, corpo e empoderamento de mulheres: como o judaísmo está lidando com o feminismo?
11 de novembro de 2020
O ‘E eu com isso?’ dessa semana é um pouco diferente. É uma conversa entre quatro mulheres judias, ativistas comunitárias e feministas. Anita Efraim, Amanda Hatzyrah, Ana Clara Buchamann e Hanna Rosenbaum conversam sobre as muitas perspectivas do movimento feminista do judaísmo. Como a religião e suas diversas linhas – da ortodoxia à vertentes progressistas- lidam com […]
Dvir Sorek, estudante e pacifista, é assassinado segurando livro de David Grossman
8 de agosto de 2019
O estudante Dvir Sorek foi encontrado morto na região de Gush Etzion, na Cisjordânia, na madrugada desta quinta-feira. Segundo as autoridades, o assassinato foi cometido por um membro do grupo terrorista Hamas. Quando alguém tomba vítima de terrorismo, de racismo ou de xenofobia, muitas vezes a reação, natural e compreensível, é a de fazermos referência […]