A ameaça nuclear iraniana: real e imediata
Samuel FeldbergEsta última semana foi marcada pela apresentação, por Netanyahu, dos arquivos nucleares sequestrados no Irã, e pela iminente decisão norte-americana em relação ao acordo nuclear com os iranianos.
Apesar da vibrante discussão em relação à validade ou não da manutenção do acordo, não deve haver dúvida quanto ao interesse e a capacidade do Irã de violar suas cláusulas.
Já em 2011 escrevi um artigo para a revista Política Externa, que analisava a postura nuclear iraniana e suas violações do Tratado de Não-Proliferação (NPT) do qual é signatário; naquela época, o relatório da Agência Internacional de Energia Atômica enfatizou os esforços do Irã no sentido de avançar na obtenção de tecnologia que lhe permitiria produzir um artefato nuclear. Não faltavam indícios de que o programa nuclear do Irã não se destinava exclusivamente ao enriquecimento de urânio para a geração de energia, ou alimentação de equipamentos médicos. O ritmo da produção e a construção de instalações secretas há muito apontavam para atividades que, ao não ser monitoradas pela comunidade internacional, feriam o espírito do Tratado de Não-Proliferação. Mas, segundo a Agência, nesta última etapa o Irã havia se engajado mais firmemente no desenvolvimento de modelos que simulam explosões nucleares (uma forma de “testar” a bomba sem produzi-la fisicamente), testou detonadores (elemento crítico para a nuclearização) e realizou extensos experimentos relacionados à adaptação de uma bomba a sua nova geração de mísseis Shahab, com alcance de aprox. 2000 km, suficiente para atingir Israel e o sul da Europa.
Esta foi a base para a negociação do acordo entre o grupo dos 5+1 e o Irã, contestada pelo governo Trump em função de deficiências na sua implementação. São três as falhas que podem permitir que o Irã avance em sua busca por uma capacidade nuclear ofensiva: a impossibilidade de inspecionar instalações militares, a manutenção do programa de desenvolvimento balístico, e as condições que prevalecerão no final do período acordado, que permitiriam ao Irã rapidamente finalizar o enriquecimento de urânio e a produção de uma bomba.
As recentes incursões iranianas no Oriente Médio, estabelecendo bases militares na Síria e apoiando os Houtis no Iêmen, tornam imperativo garantir que não haverá respaldo nuclear à hostilidade iraniana e que as potências lideradas pelos Estados Unidos imporão ao Irã o cumprimento das cláusulas do acordo assinado e dos acréscimos necessários para impedir a proliferação nuclear na região.
As ameaças de um país cujos líderes promovem abertamente a destruição de Israel não podem ser toleradas e todas as medidas tem que ser tomadas para evitar que desenvolva um arsenal capaz de cumpri-las.
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