Eleições 2026

Especial Eleições 2026

No dia 27 de outubro de 2026, os israelenses decidirão quem formará o novo governo do país. Conheça como funciona o sistema eleitoral e quem são os principais partidos envolvidos na disputa.


Como funciona o sistema eleitoral?

Israel adota um sistema parlamentarista baseado na representação proporcional. A Knesset, parlamento do país, é formado por 120 cadeiras, ou seja, por 120 parlamentares.

Os eleitores não votam diretamente em candidatos, mas em partidos políticos, cada um deles representado por uma lista previamente ordenada de candidatos. O número de cadeiras obtidas por cada legenda é proporcional à sua votação nacional, desde que ultrapasse a cláusula de barreira exigida pela legislação eleitoral.

Knesset, o parlamento de Israel

Cédulas de votação em Israel

Voto em papel

As pessoas vão às urnas — de papel, não é que nem no Brasil — e escolhem um papel que tem entre uma e três letras, que representam o partido. O eleitor coloca esse papel em um envelope, lacra e coloca na urna: o voto está valendo.

Isaac Herzog, presidente de Israel

Função do presidente

Após a divulgação dos resultados, o presidente de Israel, atualmente Isaac Herzog, consulta os partidos eleitos e escolhe o deputado com mais chances de formar governo.

Plenário da Knesset

Formação da coalizão

Esse líder recebe um prazo para negociar apoios e construir uma coalizão com a maioria absoluta do parlamento, ou seja, pelo menos 61 deputados. Se obtiver esse apoio, torna-se primeiro-ministro e assume a chefia do Poder Executivo.


Conheça os principais partidos políticos de Israel
Bloco pró Netanyahu
Bloco de oposição
Bloco não alinhado

Trinta e oito partidos se inscreveram para concorrer às eleições. Acima, estão os quinze partidos com representação ou presença mais relevante no cenário eleitoral e que disputam cadeiras na Knesset.


Perguntas & Respostas
Israel tem uma constituição?

Não uma constituição única e codificada. A Declaração de Independência de 1948 previa que uma Assembleia Constituinte redigisse uma Constituição até outubro daquele ano, o que não aconteceu. Em 1950, a Resolução Harari definiu que a Constituição seria construída aos poucos, por meio de Leis Básicas. A partir dos anos 1990, sob a liderança de Aharon Barak na Suprema Corte, consolidou-se o entendimento de que nenhuma lei pode contrariar essas Leis Básicas — na prática, elas passaram a ter força constitucional.

Como funciona o Poder Legislativo israelense?

É a Knesset, parlamento unicameral com 120 assentos. O nome deriva de Knesset HaGedolah (Grande Assembleia), termo da tradição judaica ligado ao período do Segundo Templo. A primeira composição foi eleita em 25 de janeiro de 1949; atualmente está em vigor a 25ª legislatura, eleita em 1º de novembro de 2022. Cabe à Knesset legislar, fiscalizar o governo, aprovar o orçamento e sustentar (ou derrubar) as coalizões.

Como os israelenses votam?

Em um partido político, não em candidatos individuais. Após a apuração, as cadeiras da Knesset são distribuídas de forma proporcional aos votos recebidos por cada partido – os 120 assentos são divididos dessa maneira.

O que é a cláusula de barreira nas eleições de Israel?

É o percentual mínimo de votos que um partido precisa alcançar para conseguir cadeiras na Knesset: 3,25% dos votos válidos, o que hoje equivale a 4 assentos. Quem fica abaixo disso não entra no parlamento, mesmo tendo recebido votos.

Quem tem direito a votar em Israel?

Todo cidadão israelense maior de 18 anos que esteja no país no dia da eleição – o voto é opcional (não obrigatório). Militares e presidiários também podem votar. Já árabes-palestinos sem cidadania israelense, como os que vivem nos territórios ocupados e em Jerusalém Oriental, não têm direito ao voto. Árabes-israelenses, por sua vez, são cidadãos israelenses e votam.

Quais medidas Israel adota para incentivar a participação eleitoral?

As eleições nunca ocorrem às sextas ou sábados, em respeito ao Shabat; o dia da eleição é declarado feriado nacional; e o transporte público é gratuito nesse dia.

Como se forma o governo depois da eleição?

Como dificilmente um único partido conquista maioria absoluta (61 das 120 cadeiras), o normal é a formação de coalizões. Após consultar os partidos eleitos, o presidente encarrega o parlamentar com mais chances de reunir apoio majoritário para formar o governo. Esse parlamentar tem 28 dias para negociar (prorrogáveis por mais 14). Conseguindo maioria, apresenta o governo à Knesset para um voto de confiança, só depois disso o governo toma posse.

O que acontece se o parlamentar encarregado não conseguir formar maioria?

O presidente pode designar outro membro da Knesset para tentar formar o governo, seguindo o procedimento previsto na legislação israelense.

Um governo pode cair antes do fim do mandato de quatro anos?

Sim, de três formas: o próprio governo pode pedir a dissolução da Knesset, provocando novas eleições; a oposição pode aprovar uma moção construtiva de desconfiança (constructive vote of no confidence), que só derruba o governo se já indicar um substituto capaz de reunir maioria; ou a coalizão pode simplesmente se reorganizar ao longo da legislatura, incorporando novos partidos sem necessidade de eleição.

O conceito de esquerda e direita em Israel é o mesmo do Brasil?

Não. Um partido israelense classificado como “de direita” ou “de esquerda” pode não corresponder ao que se entende por direita no Brasil – a classificação segue a lógica interna do próprio contexto político israelense, e pode até variar conforme o tema. Os eixos centrais para essa classificação em Israel são: postura em relação ao conflito Israel-Palestina, relação entre religião e Estado, e questão de segurança nacional.

Direita tem duas correntes principais:

• Nacionalista secular: o Likud é o exemplo clássico. Defende segurança nacional forte e economia de livre mercado; historicamente respeitou a autoridade da Suprema Corte, embora essa postura venha mudando na última década, com aproximação a modelos como o de Orbán na Hungria.

• Nacionalista religiosa: partidos como Sionismo Religioso e Força Judaica. Aqui a base é o sionismo religioso: além da segurança, defendem a expansão dos assentamentos e uma leitura religiosa do direito à terra.

Esquerda nasceu ligada aos movimentos trabalhistas e ao socialismo – foi hegemônica na liderança do movimento sionista dos anos 1930 até 1977. Ao longo do tempo, ela substituiu a ideia de solidariedade de classe entre trabalhadores pela solidariedade entre povos (judeus e palestinos), e passou a se definir principalmente pela defesa da solução de dois Estados como caminho para preservar Israel como Estado judeu e democrático ao mesmo tempo. É essa posição sobre o conflito, mais do que pauta econômica, que hoje distingue esquerda de direita em Israel.

Centro é o campo mais fluido: não tem uma bandeira fixa, pode se definir pela economia, pela relação religião-Estado ou pela posição no conflito, dependendo do momento e de quem lidera.

Os partidos ultraortodoxos, embora frequentemente vistos de fora como “direita religiosa”, não se autodefinem como partidos de direita, são partidos setoriais, focados nos interesses da comunidade ultraortodoxa (financiamento de yeshivot, isenção do serviço militar, preservação do status religioso), e historicamente já formaram coalizão tanto com a esquerda quanto com a direita.

Qual é o papel do primeiro-ministro?

É o chefe de governo. Comanda o Executivo com apoio do Gabinete, responsável por coordenar políticas entre ministérios e assessorar em áreas estratégicas como segurança nacional e relações exteriores. Seu mandato acompanha a duração da legislatura (quatro anos), mas pode terminar antes. Não há limite para o número de mandatos que uma pessoa pode exercer.

Por que a Suprema Corte é tão debatida na política israelense?

Como Israel não tem uma constituição única, a Corte cumpre um papel central interpretando as Leis Básicas e revisando atos do Executivo e da Knesset. Críticos dizem que o tribunal ampliou demais suas próprias competências; defensores argumentam que essa atuação é essencial para proteger direitos fundamentais e o equilíbrio entre os poderes. O debate se intensificou a partir de 2023, com as propostas de reforma do Judiciário apresentadas pelo governo Netanyahu, que geraram grandes manifestações públicas.

Por que a isenção do serviço militar dos ultraortodoxos é um tema tão explosivo nesta eleição?

Porque o exército israelense enfrenta hoje uma carência estimada em 10 mil soldados, o que sobrecarrega reservistas de 30 a 40 anos há mais de 500 dias desde o início da guerra. Isso tornou a isenção dos ultraortodoxos impopular tanto à esquerda quanto à direita – a ponto de Os Democratas e Israel Nossa Casa (opostos no espectro político) recusarem hoje formar governo com os partidos ultraortodoxos.


Correspondentes em Israel

O Instituto Brasil-Israel é a única instituição com cinco correspondentes in loco para cobrir as eleições israelenses.
Conheça nossos colaboradores:

Revital Poleg

Revital Poleg

Diplomata israelense aposentada, trabalhou com Shimon Peres durante os Acordos de Oslo.

Henrique Cymerman

Henrique Cymerman

Autor e jornalista português, é correspondente internacional em Israel há mais de três décadas.

Daniela Kresch

Daniela Kresch

Jornalista brasileira, vive em Israel e já cobriu acontecimentos no país para grandes veículos brasileiros, como GloboNews e Folha de S. Paulo.

João Miragaya

João Miragaya

Mestre em História pela Universidade de Tel Aviv e podcaster em “O Lado Esquerdo do Muro”.

João Torquato

João Torquato

Podcaster e comunicador, chega a Israel para cobrir os principais acontecimentos do país, diretamente das ruas.


Materiais complementares

Assista a entrevista “Quem é quem nas eleições em Israel?” com João Miragaya, no Youtube do Instituto Brasil-Israel.

Ouça o podcast #385 Quem é quem nas eleições em Israel, do “E eu com isso?”, produzido pelo Instituto Brasil-Israel.


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