Pinkwashing: homofobia e antissemitismo
04 jun 18

Pinkwashing: homofobia e antissemitismo

Bruno Bimbi

O conceito de pinkwahsing é a mistura perfeita de homofobia e antissemitismo. 

A ideia, divulgada por amplos setores da esquerda “antissionista”,  é que o único motivo pelo qual Israel é o único dos países da região onde as pessoas LGBT são tratadas como cidadãos, respeitadas e com a maioria dos seus direitos civis garantidos, de forma semelhante à maioria dos países da Europa ocidental (e radicalmente diferente do resto do Médio Oriente, onde os homossexuais são perseguidos e criminalizados, em alguns países com a pena de morte), é porque os “sionistas” (eufemismo para “esses judeus de merda”) usam os direitos LGBT para “lavar a cara” do Estado de Israel pelo conflito israelense-palestino. 

Pinkwashing significa “lavagem rosa” e a ideia é que, graças a essa ação de “propaganda sionista”, Israel arregimenta o movimento LGBT internacional para defendê-lo. Como consequência desse raciocínio, qualquer pessoa LGBT que discordar da retórica anti-israelense, for contra o BDS ou simplesmente viajar a Tel Aviv pra participar da parada ou curtir uma cidade gay-friendly, está sofrendo lavagem cerebral sionista através do pinkwashing.

Vejam só todos os pressupostos que são necessários para validar essa ideia: 1) o Estado de Israel é “sujo” e precisa ser “lavado”, 2) os judeus são incapazes de fazer alguma coisa positiva, justa, meritória, sem que por trás dela exista algum interesse espúrio, 3) os direitos LGBT são algo tão desimportante e acessório que sua conquista só pode ser explicada como consequência ou requisito para uma outra coisa mais relevante, 4) a comunidade LGBT e o movimento social não existem em Israel e, diferentemente do resto do mundo, os direitos LGBT não são, lá, uma conquista social, mas apenas uma concessão estatal como parte de um plano maquiavélico da conspiração dos sábios de Sion, 5) os LGBT são tão burros que podem ser facilmente manipulados.

Enquanto parte da esquerda divulga esse tipo de teorias da conspiração antissemitas, no Irã, na Arábia Saudita e em outros países da região, os homossexuais continuam sendo executados e não tem nota oficial de nenhum vereador fake denunciando isso.

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