As diversas correntes do sionismo foram tema da 7ª aula do curso do IBI no RJ
No dia 05/10, no sétimo encontro do curso de formação do IBI no Rio de Janeiro, Michel Gherman continuou sua aula sobre o movimento nacional judaico, aprofundando nas discussões sobre suas diversas correntes e práticas.
Inicialmente, tratou-se daquele que é considerado o “pai do sionismo”, Theodor Herzl, mas numa outra perspectiva, buscando redimensionar suas contribuições. Ao invés de ser o fundador do sionismo, ele é tomado como um de seus organizadores, por ter fundado a Organização Sionista. Todavia, seu livro o Estado Judeu não foi o primeiro esforço teórico sobre o sionismo, nem aquela a primeira organização sionista. De fato, já havia um movimento constituído no Leste Europeu que precedeu Herzl. Ademais, o projeto político de Herzl foi profundamente derrotado. Tratava-se de uma visão baseada em acordos imperialistas, não na migração imediata, não centrada na Palestina, contra autodefesa, anti hebraísta e anti idiichista. Era um projeto voltado para resolver a questão judaica do Leste Europeu, impedindo sua migração para a Europa Central e Ocidental, fundamentalmente os civilizando.
O projeto vitorioso dentro do movimento sionista foi desenvolvido no Leste Europeu, sob o signo do sionismo-socialista. Era uma visão baseada na migração imediata para a Palestina, na língua e cultura hebraicas, cujos principais objetivos eram a compra de terras, desenvolvimento do trabalho judeu e da autodefesa judaica. Assim, durante os períodos dos Impérios Otomano e Britânico, aos poucos foram se desenvolvendo as instituições centrais do futuro Estado de Israel, como o Keren Kayemet LeIsrael (KKL – fundo para compra de terras), a Histadrut (central sindical) e a Haganá (grupo de autodefesa).
Estas práticas, contudo, não se efetivaram num vazio: havia lá a população palestina, que também começa a constituir progressivamente um movimento nacional e a se ver como uma nação. Deste modo, a compra de terras e o princípio de trabalho judaico mudaram configurações locais de poder, na medida em que se iam valendo das contradições entre práticas imperiais modernizadores e antigas tradições locais. Neste sentido, apesar de existirem autonomamente, progressivamente foram se constituindo os dois movimentos nacionais um em relação ao outro, em especial entendendo-se em oposição.
No entanto, não se deve naturalizar esta perspectiva: este resultado foi produto de agências históricas e não eram necessidades metafísicas. Neste sentido foi discutido o papel do binacionalismo, defendido por grupos sionistas e palestinos. Apesar de minoritário, foi uma corrente importante e que ajuda a entender como o objetivo de formação de um Estado para os judeus (e outro palestino) não era algo dado previamente, mas uma possibilidade que se tornou hegemônica.
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