Presidente de Israel pede desculpas pelo massacre de Kafr Qasem em 1956
O presidente Isaac Herzog se desculpou na sexta-feira (29) em seu nome e em nome do Estado de Israel pelo massacre de árabes de Kafr Qasem, em 1956, em uma cerimônia em homenagem às vítimas.
“Eu curvo minha cabeça diante da memória das 49 vítimas. Eu curvo minha cabeça diante de vocês, de suas famílias e dos habitantes de Kafr Qasem ao longo dos tempos”, disse Herzog, “e em meu nome e em nome do Estado de Israel, peço perdão”.
Embora tenha feito seu discurso em hebraico, o presidente repetiu o pedido de desculpas em árabe.
“Matar e ferir inocentes é absolutamente proibido. Isso deve permanecer além de todos os argumentos políticos”, disse Herzog. “Neste dia (29/10), 65 anos após a catástrofe, devemos orar e esperar que a memória das vítimas fique conosco como uma lição e uma bússola, e que das profundezas da dor, iremos brotar juntos um futuro compartilhado, cheio de esperança.”
Em 29 de outubro de 1956, o primeiro dia da Crise de Suez, Policiais israelenses mataram quarenta e oito homens, mulheres e crianças, incluindo uma mulher grávida. Seu feto é contado na aldeia como a 49ª vítima do assassinato.
Herzog disse em seu discurso que apoia a adição do massacre ao currículo escolar. “Em todo o Estado de Israel, alunos em escolas, participantes de movimentos juvenis, soldados, comandantes e oficiais das FDI e todas as forças de segurança sabem sobre este terrível evento e as lições aprendidas com ele”, disse.
Herzog não é o primeiro oficial israelense a emitir um pedido de desculpas pelo massacre. Em 2007, o então presidente Shimon Peres também se desculpou pelo massacre durante uma visita à cidade. “No passado, uma tragédia aconteceu aqui, pela qual sentimos muito”. O ex-ministro da Educação Yossi Sarid também se desculpou e promoveu o tópico no currículo escolar israelense.
Um projeto apresentado pela “Lista Conjunta”, composta majoritariamente por partidos árabes, propondo o reconhecimento oficial do massacre pelo Estado e introduzindo-o no currículo escolar, não passou em uma votação no parlamento esta semana.
A resolução dividiu os legisladores árabes. O Ministro da Cooperação Regional Esawi Freige, do Meretz e residente de Kafr Qasem, acusou a “Lista Conjunta” e Aida Touma-Suleiman, que apresentou o projeto, de “explorar nossa dor” por causa de votos e política interna.
Antes da sessão da Knesset, houve conversas entre os representantes da coalizão e a facção do Hadash, da “Lista Conjunta”, com o objetivo de atrasar a votação e chegar a um acordo sobre um novo esboço. Isso ajudaria a poupar partidos da coalizão, como o Meretz e a Lista Árabe Unida do constrangimento de votar a favor um projeto de um partido da oposição. Os lados não conseguiram chegar a um acordo.
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