“Passaporte para a liberdade” e a história do consulado de Hamburgo
Nas duas últimas semanas de 2021, a TV Globo exibiu a minissérie “Passaporte para a liberdade”. A produção conta a história de Aracy de Carvalho (1908-2011), uma funcionária do Consulado de Hamburgo, na Alemanha, que concedeu vistos para judeus alemães fugirem. Aracy, inclusive, recebeu o título de “justa entre as nações” pelo museu Yad Vashem – o Museu do Holocausto em Jerusalém -, uma homenagem dada a não judeus que auxiliaram e salvaram, desinteressadamente e eventualmente se expondo a riscos, judeus perseguidos pelo nazismo.
Acontece que há contestações sobre os mitos que foram criados ao redor da história. O enredo da série suscitou debates entre historiadores sobre a possível mitologização do heroísmo ou não de Aracy de Carvalho e da verossimilhança com a realidade dos fatos. Afinal, a história de Aracy é verdadeira ou romantizada?
No episódio desta semana, as apresentadoras Anita Efraim e Ana Clara Buchmann conversaram com dois especialistas sobre o tema. Fabio Koifman, doutor em história e professor associado da UFRRJ, e Rubens Glasberg, jornalista, escritor e autor do livro “Os Indesejados: Uma História de Refugiados no Tempo do Nazismo”. Escute:
“Nesse momento em que os vistos são atribuídos, os alemães queriam muito que os judeus fossem embora. Então, atribuir risco a alguém que concede visto… que nada! Podia até ganhar uma medalha por parte dos nazistas”, disse Fábio Koifman
“Existia uma expectativa por parte de muita gente que tivesse um sul-americano como justo entre as nações. E aí, por conta disso, pela pressão, pelo movimento que se fez, acabaram reconhecendo a Aracy. (…) A memória das pessoas é seletiva. Muitas vezes, as pessoas se enganam, têm percepções equivocadas de fatos. E no caso específico que envolve diplomatas e ambientes consulares, como seria o caso de Hamburgo, os historiadores dispõem de outras fontes”, completa o historiador.
Para Rubens Glasberg, “os dados, as fontes, a correspondência consultada no Consulado de Hamburgo, nada indica que esses vistos foram ilegais”.
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