Dia Mundial dos Direitos da Criança? Não para as crianças israelenses sequestradas pelo Hamas
20 nov 23

Dia Mundial dos Direitos da Criança? Não para as crianças israelenses sequestradas pelo Hamas

Revital Poleg

Revital Poleg

Na segunda-feira, 20 de novembro, é celebrado o Dia Mundial da Criança. Um dos objetivos desse dia é aumentar a consciência sobre os direitos das crianças no mundo todo.

Em dias nos quais 39 bebês, crianças, jovens e adolescentes de até 16 anos de idade foram raptados de suas casas e mantidos reféns por uma organização terrorista cruel e impiedosa, nos dias em que ficamos sabendo de uma mulher que deu à luz em Gaza a um bebê em condições de cativeiro, um bebê que não teve direito a um único dia de liberdade e à luz do sol, o Dia dos Direitos da Criança, no melhor dos casos, é uma piada triste.

Há uma amarga ironia na celebração do Dia Internacional dos Direitos da Criança. No cenário mais realista, esse dia se torna uma manifestação sarcástica e cínica da hipocrisia global, revelando o enfoque seletivo e a cegueira moral das organizações responsáveis por fornecer ajuda humanitária. Organizações que, por definição, têm a missão de lutar contra ações que, de acordo com o direito internacional, são definidas como crimes contra a humanidade.

Em uma realidade mais justa, uma campanha internacional para libertar as crianças sequestradas teria inundado o mundo ocidental, lotando as ruas e estimulando protestos em todos os parlamentos e meios de comunicação. No entanto, com poucas exceções, a maioria permaneceu em silêncio, sem expressar nenhuma manifestação contrária aos atos hediondos. Se fosse uma realidade justa, as organizações humanitárias internacionais exerceriam imensa pressão sobre o Hamas, insistindo para que pelo menos permitissem visitar as crianças e fornecer-lhes atendimento médico, mas não o fizeram. O silêncio dessas organizações é estrondoso, silêncio que parece igual a permitir o derramamento do sangue dessas crianças e dos outros sequestrados.

Por mais de seis semanas desde o ataque terrorista do Hamas a Israel, nenhum representante da Cruz Vermelha Internacional visitou as crianças sequestradas (ou qualquer outro sequestrado). Em resposta a uma pergunta do jornal YNET, a porta-voz da Cruz Vermelha Internacional, Alyona Synenko, explicou que eles se comunicam com o Hamas de várias maneiras em Gaza e fora dela, mas, como organização humanitária internacional, não podem se impor a eles, a menos que permitam sua entrada. Stephen Ryan, porta-voz da Cruz Vermelha em Israel, explicou que eles não foram autorizados a entregar os medicamentos enviados para as crianças sequestradas. Considero difícil entender a facilidade insuportável com que a Cruz Vermelha cede ao terror e não insiste  em cumprir sua missão.

Ademais, a diretora geral do Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF), Catherine Russell, cancelou inesperadamente sua visita planejada a Israel após concluir sua visita a Gaza. Em Israel, ela deveria se reunir com as famílias dos sequestrados pelo Hamas, principalmente com as famílias cujos filhos foram sequestrados. Durante sua visita a Gaza, ela se reuniu com crianças e famílias e, de lá, criticou Israel. O lema da UNICEF é “para todas as crianças”, mas, aparentemente, isso não inclui as crianças israelenses.

Já em 1989, a Assembleia das Nações Unidas formulou a Convenção dos Direitos da Criança e até mesmo estabeleceu  o Comitê dos Direitos da Criança (CRC) que monitora e informa sobre sua implementação.

Um dos artigos da convenção afirma explicitamente que os direitos especificados nela devem ser respeitados e garantidos, sem discriminação e sem referência a características de religião, raça, gênero, idioma etc. Porém, na prática, há uma discrepância entre a convenção e a forma como é implementada no caso das crianças israelenses.

É importante notar que a comissão recebeu informações detalhadas do Ministério das Relações Exteriores de Israel sobre as crianças sequestradas, mas até hoje não considerou necessário exigir sua libertação

20 de novembro talvez seja o Dia Internacional dos Direitos da Criança, mas, como se vê, lamentavelmente, não é o Dia dos Direitos da Criança israelense.

Devemos lembrar que o terrorismo não tem fronteiras. Esse foi o caso do ISIS e da Al-Qaeda, os quais o Hamas considera como seu modelo. Se a comunidade internacional não se esforçar para erradicar essas organizações, o sequestro das crianças e as outras atrocidades cometidas pelo Hamas poderão chegar até ela também.

Por ocasião do Dia Mundial da Criança, o sino das escolas foi alterado em Israel e uma canção sobre a volta para casa foi tocada sob ele. O dia escolar inteiro foi dedicado à conversa sobre a situação das crianças sequestradas e às atividades relacionadas à expectativa e à esperança do retorno delas a suas famílias e lares, sãs e salvas. Tal como diz a letra do famoso cantor Shlomo Artzi: “Nossos olhos já secaram de lágrimas, e nossas bocas ficaram em silêncio, sem voz. O que mais podemos pedir? Já pedimos quase tudo. Dê-nos chuva apenas em sua estação e, na primavera, espalha flores para nós e, por favor, deixe-nos ver ele de novo, não precisamos mais do que isso”.

Foto: Ilan Costica/WikimediaCommons

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