Avera Mengistu: 10 anos depois, uma luz no fim do túnel
20 jan 25

Avera Mengistu: 10 anos depois, uma luz no fim do túnel

João Torquato

Na última semana, o governo israelense divulgou uma lista com o nome dos 33 reféns que serão libertados nesta primeira fase do cessar-fogo, uma pausa temporário na guerra que teve início em 7 de outubro de 2023, quando Israel sofreu o pior atentado terrorista de sua história, orquestrado pelo Hamas. Apesar de a maioria dos nomes serem de pessoas sequestradas no ataque terrorista de 2023, um nome na lista chamou a atenção, pois já estava em Gaza desde 2014. Essa é a história de um jovem negro, judeu, que passou para o outro lado do muro e nunca mais voltou.

Deixe-me contar a história de Avera Mengistu. Avera Mengistu nasceu na Etiópia e migrou para Israel com sua família. Ele cresceu no sul do país, em Ashkelon, uma das principais cidades israelenses na região próxima à fronteira com a Faixa de Gaza. Segundo familiares, ele sofre de problemas psiquiátricos, agravados após a morte do irmão, em 2011. Em 7 de setembro de 2014, após uma discussão com a mãe, Avera saiu de casa e nunca mais voltou. Ele cruzou a cerca que separa Israel de Gaza e entrou no território palestino por Zikim, sem que houvesse qualquer intervenção por parte dos militares israelenses. Familiares e amigos dizem que até hoje não entendem como os soldados de uma das fronteiras mais vigiadas do mundo permitiram que um cidadão judeu e israelense atravessasse a cerca. Até hoje, a família não obteve respostas.

O governo israelense permaneceu em silêncio sobre o desaparecimento de Avera e só se pronunciou quase um ano depois, após o jornal israelense Haaretz solicitar a revogação da ordem de sigilo imposta pelo governo sobre o caso de Mengistu. Em janeiro de 2023, o Hamas divulgou um vídeo que supostamente mostrava Avera Mengistu pela primeira vez desde 2014. No vídeo, um homem identificado como Mengistu dizia: “Até quando estarei aqui no cativeiro?”. A autenticidade e a data do vídeo foram analisadas pelas autoridades israelenses, e algumas pessoas alegaram que o vídeo poderia ter sido produzido com inteligência artificial.

A família de Avera também afirma que o governo israelense faz “pouco caso” por ele ser um jovem negro. Frequentemente, compararam o tratamento dispensado a Mengistu com o esforço feito por Benjamin Netanyahu para negociar a libertação de Gilad Shalit, um judeu de origem francesa que passou cinco anos em cativeiro nas mãos do Hamas. A história de Avera voltou aos holofotes da sociedade israelense após o brutal ataque de 7 de outubro de 2023, quando o grupo terrorista Hamas sequestrou 251 israelenses e estrangeiros. Diversas campanhas pela libertação dos sequestrados explodiram no país, e é possível ver cartazes pedindo a libertação de Mengistu pelos quatro cantos de Israel.

Agora, a família aguarda com ansiedade o possível retorno de Avera graças ao cessar-fogo que permitiu a volta de reféns israelenses em troca de prisioneiros palestinos condenados à prisão perpétua. Que a história de Avera Mengistu, assim como a de outros milhares de negros desaparecidos no Brasil, não seja esquecida.

Esse texto não reflete necessariamente a opinião do Instituto Brasil-Israel.

(Foto: WikimediaCommons)

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