Como a sociedade israelense vê a guerra com o Irã?
Revital PolegA pesquisa relâmpago do Instituto de Democracia de Israel (IDI), publicada no auge da Operação “Rugido do Leão”, reflete um cenário de coesão judaica que transcende campos políticos, contrastando com abismos profundos nas posições entre judeus e árabes.
A pesquisa traz algumas importantes descobertas, detalhadas a seguir:
Apoio à operação militar contra o Irã
82% do público geral apoia a operação. Entre o público judeu, o apoio é quase absoluto (93%) e atravessa campos políticos (Direita: 97%, Centro: 93%, Esquerda: 76%). Entre o público árabe, por outro lado, o apoio é de apenas 26%.
Confiança na liderança em tempos de emergência
64% do público confia em Netanyahu para conduzir a campanha (85% na direita, 62% no centro e 40% na esquerda). Esses dados expressam um alinhamento com a liderança em crises, apesar da polarização política profunda que caracteriza o cotidiano.
Sensação de proteção contra ataques iranianos
Existe uma disparidade extrema na percepção de segurança: 74% dos judeus sentem-se protegidos, contra apenas 15% na comunidade árabe. Essa diferença deve-se principalmente à falta de infraestrutura de proteção (abrigos) nas localidades árabes.
Donald Trump e a segurança de Israel
Houve um aumento na confiança do público judeu no presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, em comparação à “Guerra dos 12 Dias”: 66%, em média, acreditam que a segurança de Israel é uma prioridade para ele, dado que destaca a importância da aliança com os EUA como um componente psicológico da resiliência nacional israelense. Em contrapartida, entre os árabes, houve uma queda acentuada na confiança no presidente americano (apenas 43%).
Até quando a operação deve continuar?
57% dos judeus desejam a continuação da operação até a queda do regime em Teerã, enquanto 36% acreditam que se deve parar após atingir apenas os objetivos militares.
Dado os resultados, podemos extrair alguns insights e traçar algumas análises:
Efeito “União em torno da bandeira”: A ameaça iraniana é percebida como existencial, levando à suspensão temporária das disputas políticas internas na sociedade judaica em prol do esforço de guerra.
Legitimidade pública para uma campanha extensa: O desejo da maioria dos judeus (57%) por uma mudança de regime no Irã concede a Netanyahu um fôlego político para continuar os combates (ao menos nesta fase).
A aliança com os EUA como fator de resiliência: A percepção da operação como conjunta com os EUA sob a liderança de Trump constitui um elemento crítico na sensação de proteção e segurança do público israelense.
Preocupação com as consequências políticas: Embora a guerra ainda esteja em sua fase inicial, os resultados refletidos na pesquisa sugerem um impacto significativo na política interna. A ampla legitimidade que Netanyahu desfruta no momento – mesmo que, retoricamente, parte de seus opositores a atribua às Forças de Defesa e não ao governo – fortalece sua posição política. Pesquisas recentes já indicam um leve fortalecimento do partido Likud e da percepção de adequação de Netanyahu ao cargo de primeiro-ministro.
Questionamentos sobre o momento da guerra: Há razões para avaliar que o momento do início da campanha baseou-se consideravelmente em cálculos políticos, e não apenas em critérios estratégico-militares, por mais legítimos que sejam. Isso foi possibilitado também pelo eixo Netanyahu-Trump, que serve aos interesses pessoais de cada um deles, a cálculos políticos e a um apoio público mútuo marcado por uma retórica de elogios mútuos.
O risco para as relações Israel-EUA: Cresce o desconforto nos EUA, não apenas entre os opositores de Trump, mas também entre parte de seus apoiadores, diante das dúvidas sobre a necessidade da guerra e a sensação de que Netanyahu arrastou Trump para o conflito (apenas oito meses após o ciclo anterior, declarado como “vitória total”). Esse desconforto constitui mais um marco no desgaste da posição de Israel nos EUA.
O desafio interno: A disparidade extrema na sensação de proteção entre o público árabe e o público judeu constitui mais um sinal de alerta que reflete um agravamento adicional da crise na sociedade árabe, que se encontra hoje em um de seus pontos mais críticos.
Foto: WikimediaCommons
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