Sobre a barbárie e os custos humanos de uma guerra
11 out 23

Sobre a barbárie e os custos humanos de uma guerra

Lilia Schwarcz

Passei o final de semana tentando disfarçar a tristeza, assistindo o Mundial se Ginástica Artística de Antuérpia, e vendo um seriado que a cada episódio ficava ainda mais sem sentido. Tudo isso para tentar compensar as imagens de morte e de destruição, resultado da guerra entre Israel e a Palestina.

Sou contra qualquer forma de terrorismo, até mesmo sabendo que essa guerra é assimétrica, com o poderio bélico de Israel sendo muito maior que o Palestino; não começou apenas sábado passado, e que a violência já faz parte do cotidiano que castiga os dois países, mas é pior na Palestina por causa da política segregacionista de Israel. No acumulado da guerra, nesses anos todos, são mais palestinos que morreram do que israelenses. Sofro por todos eles. Sei também que muitos israelenses e palestinos são contra o terrorismo e a favor da paz. O terror é o fim da utopia; não o começo. A história prova que ele leva ao nacionalismo exacerbado e ao fascismo.

O certo é que o terrorismo atacou sem dó a população civil israelense e hoje, nessa segunda de manhã, são os dois lados que lamentam por tantas vidas desperdiçadas. Os números de domingo à noite chegam a mais de 1.100 pessoas. 700 israelenses e 400 palestinos. A grande maioria das baixas em Israel são civis: são até aqui 27 soldados e 23 policiais mortos. De toda maneira, e com certeza, esses números não chegam perto dos políticos sanguinolentos do governo Benjamin Netanyahu. E são números que mudam a toda hora e dizem respeito a vidas roubadas, insisto,dos dois lados. Essa guerra não para e não começou aqui.

O grande ausente da maior parte das discussões políticas é a reflexão sobre o custo humano da guerra. E nessa área não há o que comemorar. E é isso que assistimos nesse final de semana: o verdadeiro caráter obsceno da guerra, como escreveu Peter Brooks, quando a morte de nossos inimigos é altamente desejável — e até moralmente defensável. Repito: para os dois lados. É nessas horas que subtraímos a moral para viver a própria barbárie.

Me perdoem mas ando sem palavras para descrever a barbárie. Não faça parte dela.

Foto: PHhere/Creative Commons

Artigos Relacionados

A casa ainda não caiu
A casa ainda não caiu

Calendar icon 22 de abril de 2026

João Miragaya Os judeus construíram, na antiguidade, dois Templos Sagrados no Monte Moriá, em Jerusalém. O primeiro foi supostamente erguido pelo Rei Salomão, no século X AEC. Este templo teria sido destruído pelos babilônios em 536 AEC, no contexto da conquista do reino de Judá e da expulsão dos judeus para a Babilônia. O segundo […]

Arrow right icon Leia mais
América primeiro – também no caso dos reféns
América primeiro – também no caso dos reféns

Calendar icon 12 de maio de 2025

Daniela Kresch TEL AVIV – “America first”. A libertação do soldado israelense-americano Edan Alexander pelo grupo terrorista Hamas nesta segunda-feira, 12 de maio de 2025, a pedido do presidente americano Donald Trump, deixou bem claro que o que interessa a Trump é apenas e somente a “América”. Os esforços do presidente dos Estados Unidos para […]

Arrow right icon Leia mais
O hino de Israel no Bahrein: há algo de novo no Oriente Médio
O hino de Israel no Bahrein: há algo de novo no Oriente Médio

Calendar icon 18 de fevereiro de 2022

Por Daniela Kresch

Arrow right icon Leia mais