Natalie Portman fala sobre sua decisão de não ir ao Prêmio Genesis, em Israel
23 abr 18

Natalie Portman fala sobre sua decisão de não ir ao Prêmio Genesis, em Israel

IBI

Quando alguém como a atriz israelense e judia Natalie Portman decide se ausentar de uma cerimônia que contaria com a participação do primeiro-ministro Benjamin Netanyahu, por discordar de seu governo, cria-se uma daquelas situações em que militantes de todos os espectros fazem as mais esdrúxulas interpretações sobre o fato, com aproximações inusitadas.

De um lado, ativistas do boicote a Israel apressam-se em anunciar vitória, atribuindo a decisão de Portman ao sucesso de sua campanha. Afinal, é preciso prestar contas aos patrocinadores, assim como energizar a militância, que é mobilizada a partir da percepção de ganhos concretos.

Do outro lado, e seguindo a mesma lógica, o governo israelense e seus subordinados, alvos do protesto da atriz, não demoram a classificar a atitude de maneira deturpada, como uma agressão a todo Estado, que flerta com o antissemitismo, procurando, com isso, escapar do foco da crítica. Atribuem, eles também, a decisão a uma vitória das campanhas de deslegitimação, visando aglutinar sua própria militancia de hasbará.

No diálogo de surdos em que o debate se transformou, poucos ouviram o que a atriz realmente tinha a dizer.

Com a palavra, Natalie Portman:

“Minha decisão de não de comparecer à cerimônia do Prêmio Genesis foi mal interpretada por outros. Deixem-me falar por mim mesma. Escolhi não comparecer por não querer aparentar endossar Benjamin Netanyahu, que faria um discurso na cerimônia. Pela mesma razão, não faço parte do movimento BDS e não o apoio. Assim como muitos israelenses e judeus ao redor do mundo, eu posso ser crítica sobre a liderança em Israel sem desejar boicotar a nação inteira. Eu valorizo meus amigos e minha família israelenses, assim como a comida, os livros, a arte, o cinema e a dança israelenses. Israel foi criado, exatamente 70 anos atrás, como um paraíso para refugiados do Holocausto. Mas os mau-tratos daqueles que sofrem com as atrocidades atuais simplesmente não estão de acordo com meus valores judaicos. Pelo fato de me importar com Israel devo me posicionar contra a violência, a corrupção, a desigualdade e o abuso de poder.

Por favor não recebam quaisquer palavras que não venham diretamente de mim como se fossem minhas.

Essa experiência me inspirou a apoiar inúmeras instituições de caridade em Israel. Eu as anunciarei em breve e espero que outros se juntem a mim para apoiar o grande trabalho que eles vêm desempenhado”.

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