Ruth Bader Ginsburg e Israel
IBI
Foi em plena noite de Rosh Hashaná que Ruth Bader Gisburg – conhecida como “ícone progressista” da suprema corte americana – faleceu, neste dia 19 de setembro de 2020, deixando um legado impactante pelos direitos da mulher, direitos civis e justiça americana.
Também durante os serviços de Rosh Hashaná, em 2017, a juíza da Suprema Corte Americana fez uma aparição surpresa na histórica sinagoga de Washington Six & I. Lá falou sobre como sua identidade judaica e os textos religiosos que leu durante sua juventude a ajudaram a desenvolver um senso de empatia por outros grupos minoritários. “A religião judaica é uma religião ética. Ou seja, somos ensinados a fazer o que é certo, a amar a misericórdia, a fazer justiça, não porque haverá qualquer recompensa no céu ou punição no inferno. Vivemos assim justamente, não esperando uma compensação no futuro ”, disse Ginsburg ao público.
Sua relação com Israel nunca foi um foco de destaque mas sempre existiu. Segundo matéria do jornal israelense Haaretz, assinada pela jornalista Allison Kaplan Sommer, a juíza foi à Israel diversas vezes e mantinha um diálogo próximo, não sem tensões, com os juízes do país. Em 2018 no American Center, em Jerusalém, fez questão de sentar-se ao lado da ex-presidente da Suprema Corte israelense, Dorit Beinisch. “Elas conversaram sobre as lutas comuns de seus dois países no que diz respeito ao poder legal e parlamentar, e a interação entre o judaísmo e a luta por direitos iguais nas culturas políticas e religiosas”, afirma.
Na mesma matéria, a repórter elege alguns fatos para explicar o vínculo da americana com Israel. Como, por exemplo, quando recebeu o prêmio da Genesis Prize Foundation, em 2018, não em Jerusalém – como é feita a entrega tradicionalmente -, mas em um evento privado no Yitzhak Rabin Center em Tel Aviv, co-organizado por Dalia Rabin, filha do primeiro-ministro assassinado. Na ocasião, quem lhe entregou o prêmio tampouco foi Netanyahu, mas ex-presidente da Suprema Corte, Aharon Barak. Segundo a jornalista, ele a chamou de “uma jurista judia excepcional, cuja busca destemida pelos direitos humanos, igualdade e justiça para todos decorre de seus valores judaicos”.
Em 2019, relata a matéria, já sofrendo de saúde, ela fez questão de aparecer em evento em Washington em homenagem ao autor israelense Amos Oz e dizer à filha de Oz, Fania Oz-Salzberger, que era fã do escritor. No mesmo, ano – conta Allison Kaplan – a juíza doou o valor de um prêmio recebido, na Suécia, para três organizações, uma delas em Israel: a Hand in Hand – uma rede de escolas onde crianças israelenses árabes e judias estudam juntas, com professores árabes e judeus. A matéria coloca as aspas de Ginsburg: “Desde as primeiras séries, as crianças são ensinadas a falar, ler e escrever em hebraico e árabe. Eles aprendem os valores compartilhados de judeus, muçulmanos e cristãos – entre eles ajudar os outros, receber convidados, opor-se à opressão e cuidar da Terra ”,
“Ginsburg observou que estava concedendo o prêmio em dinheiro a organizações que defendiam os valores que ela compartilhava e trabalhava para avançar ao longo de sua longa vida: Buscar “reparar as lágrimas em nossas sociedades, reduzir a intolerância e promover a compreensão”, relata a jornalista.
Fontes:
Why Ruth Bader Ginsburg Had an Intimate, Yet Ambivalent, Relationship With Judaism and Israel
Remembering Justice Ruth Bader Ginsburg, Feminist Icon and Champion of Liberal Causes
Ruth Bader Ginsburg, first Jewish woman on Supreme Court, dies at 87
Ruth Bader Ginsburg was passionate about Judaism’s concern for justice
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