Morre Claude Lanzmann, cineasta francês que dedicou parte de sua obra a entender a complexidade de Israel
Shoá, talvez seja o trabalho mais conhecido de Claude Lanzmann – que morreu nesta quinta-feira. O documentário demorou onze anos para ser concluído, tem nove horas de duração e entrevistas com sobreviventes, testemunhas e trabalhadores dos campos de concentração.
Em seu currículo, o realizador possui também dois documentários sobre Israel: “Why Israel?” e “Tsahal”. Reportagem da revista americana New Yorker analisa a relação do cineasta com o país, traçando a importância que Israel tem na obra de Lanzmann a partir de seus filmes e sua autobiografia. O crítico Richard Brody afirma que Lanzmann escreveu que ele nunca teria feito esses filmes se tivesse vivido em Israel:
“Assim como eu nunca poderia ter dedicado doze anos da minha vida a um trabalho como “Shoá” se eu tivesse sido enviado para os campos. Essas coisas são misteriosas, ou talvez não sejam. Não pode haver verdadeira criação sem opacidade, o criador não precisa ser transparente para si mesmo. Uma coisa é certa: o papel da testemunha … exigia que eu ficasse dentro e fora, como se tivesse sido designado para uma posição precisa”.
Para ler a matéria original na íntegra, acesse: https://www.newyorker.com/culture/richard-brody/claude-lanzmann-and-israel
Artigos Relacionados
Ventos novos nas relações entre palestinos e israelenses
14 de setembro de 2021
Ventos novos nas relações entre palestinos e israelenses. Ventos novos e, por vezes, contraditórios. Nessas duas últimas semanas algumas placas se moveram. Depois de anos de afastamento, a Autoridade Palestina volta a ser lembrada como parceira viável. Na semana passada, o ministro da defesa israelense se encontrou com lideranças palestinas para tratar de temas importantes […]
E eu com isso? #194 A primeira Copa no Oriente Médio
23 de novembro de 2022
E lá se foi mais um dia de Copa! A edição de 2022 é a primeira no Oriente Médio. Quais as particularidades do Catar enquanto sede do maior torneiro de seleções do mundo? E por que as discussões sobre direitos humanos estão surgindo justo agora?E a gente também não podia deixar de falar de Israel, […]
Não em meu nome
30 de junho de 2020
Quem são estes que hoje se arvoram como líderes do sionismo? Onde estavam nos momentos decisivos deste refúgio propugnado há mais de século pelos pais de um sionismo humanitário que, mesmo considerando as agressões dos oponentes, se fazia sempre “a favor” e não “contra”? A favor de um lar nacional para este povo milenarmente exilado, […]