IBI em casa: bate-papo com o cineasta israelense Amos Gitai
IBIO Instituto Brasil-Israel recebeu o cineasta Amos Gitai, para um bate-papo, com convidados. O israelense está no Brasil a convite da Mostra Internacional de Cinema de SP e lançou o livro “Em Tempos Como Estes”, com cartas escritas por sua mãe, Efratia.
Durante a conversa, Amos contou como foi sua passagem pelo serviço militar (onde quase morreu durante a Guerra de Ion Kippur), sobre o ofício de cineasta, sobre a importância de se preservar o pensamento crítico dentro da sociedade israelense ” é a crítica que nos faz crescer e que vai garantir nossa sobrevivência”, afirmou.
Depois de uma fala sobre suas origens e sobre seu percurso na arquitetura e no cinema, o diretor respondeu a perguntas. Afirmou ser a favor de que os ortodoxos participem de algum serviço social do país, não necessariamente o exército. “É importante que eles saibam que estão fazendo parte de um país e que têm pessoas diferentes. É no contato com o outro que combatemos os extremismos. Isolados, tendemos a ser mais radicais. Não precisa ser exército, pode ser um trabalho em hospitais, em serviços públicos”. Sobre as eleições em Israel, o cineasta afirmou ser bem realista e que espera que, caso Benny Gantz, ganhe ele adote uma postura parece a de Ytzak Rabin: “pragmática e sem demagogias propagandistas”.
Amos também falou sobre a paz ser uma escolha nada passional, “não à toa”, disse “a maioria dos realizadores dos projetos de paz são militares. Porque eles sabem o horror da guerra, que não tem nada de bom”. Indagado sobre o BDS, Amos afirmou ser totalmente contra o boicote. “Sou pelo diálogo, pela crítica, pela expressão. Nunca por tentar calar alguém. As pessoas vão boicotar o David Grossman, a memória de Amós Oz? Não faz o menor sentido. É preciso que se fale, critique, mas não boicote”.
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