Sionismo cristão: o ativismo evangélico por Israel
13 jan 20

Sionismo cristão: o ativismo evangélico por Israel

Daniela Kresch

O seminário – promovido pela Universidade de Haifa, pelo Núcleo Interdisciplinar de Estudos Judaicos e Árabes (Niej) da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e pelo Instituto Brasil Israel (IBI) – reúne os maiores especialistas em um dos temas mais quentes no Brasil, nas Américas em tem todo o mundo. “Quero agradecer muito ao IBI e à UFRJ por serem nossos parceiros nesta importante conferência”, afirmou o reitor da Universidade de Haifa, o professor Gustavo Mesch, nascido na Argentina e, portanto, duplamente interessado no assunto.

Na abertura do evento, o Dr. Marcos Silber, da Universidade de Haifa, explicou que o encontro quer estudar mais profundamente a justificativa teológica do forte apoio a Israel por parte de comunidades evangélicas pelo mundo, especialmente na América Latina. Entre os convidados do primeiro dia, o Dr. Michel Gherman e Rafael Kruchin, ambos do IBI, falaram da importância da conferência: “Essa conferência é fruto de uma ideia que surgiu há um ano, sobre um assunto que, para nós, no Brasil, é um fenômeno atual muito latente: os usos políticos, por grupos evangélicos, de símbolos israelenses e judaicos”, disse Gherman. “Este evento precisa ser o começo de um processo de diálogo e de pesquisa acadêmica entre brasileiros, europeus, americanos e israelenses”. “Nas últimas décadas, partes tanto de setores progressistas e conservadores adotaram narrativas maniqueístas e desenharam narrativas e visões altamente ideológicas sobre o Estado de Israel, o sionismo e o judaísmo, abrindo caminho para preconceito, esteriotipos e polarização”, alertou Rafael Kruchin.

O palestrante principal do primeiro painel foi o professor Paul Freston (Universidade Wildrid Laurier, Canadá), que falou sobre a expansão do sionismo cristão na América Latina e na África. O professor introduziu conceitos como filossemitismo (apoio aos judeus e seus símbolos), duo-nacionalismo de algumas comunidades evangélicas (que apoiam seus próprios países e Israel) e a identificação de marranos brasileiros com o judaísmo e suas tradições. “Há um crescente interesse do cristianismo evangélico global em adotar um sionismo cristão, um ativismo geopolítico de cristãos em favor do Estado de Israel, incluindo tentativas de influenciar políticas externas de alguns países. Esse sionismo cristão adota uma posição política em muitos países que não têm sidofavoráveis a Israel”, afirmou Freston.

O professor James K. Wellman, da Universidade de Washington, fez uma análise sob o título “Do que os sionistas cristãos são capazes de abrir mão por Israel?”. Ele chamou a atenção para a ligação emocional dos evangélicos com Israel, o que estudiosos por vezes ignoram, para explicar de onde vem esse apoio dos evangélicos a Israel. “Para muitos evangélicos, o estabelecimento de Israel é uma resposta às suas preces, uma prova de que Deus existe e o messias está prestes a chegar. Pensem como eles: tudo o que eles sempre quiserem está se realizando”, disse Wellman.

A professora Virginia Garrard, da Universidade do Texas (Austin, EUA), falou sobre o uso de símbolos judaicos em igrejas pentecostais na América Latina, como bandeiras de Israel, que se tornaram enfeites comuns: “Ao acordar hoje, vi uma bandeira de Israel no meu hotel e até pensei: tem uma igreja evangélica aqui?”, brincou a professora.

Devid Lehman, da Univesidade de Cambridge (Reino Unido), falou sobre a Igreja Universal do Reino de Deus em sua palestra “Em controle do texto: um casamento brasileiro de fundamentalismo e híbrido”: “A Igreja Universal e seu Templo de Salomão tenta se estabelecer como herdeira da tradição judaica-cristã”, disse Lehman. “É uma instituição que se coloca acima de tradições políticas, denominações ou seitas e quer se relacionar com pessoas e autoridades de todos eles”.

A Dra. Yeal Mabat, da Universidade de Tel Aviv, terminou o primeiro dia do encontro falando sobre cristianismo no Peru em seu trabalho entitulado “Mantendo o Shabat, lendo a Bíbia e se tornando um ‘verdadeiro’ cristão: os indígenas adventistas do sétimo dia e a Igreja Católica no Peru”. O seminário “Política e religião no Brasil e nas Américas: Igrejas evangélicas e suas relações com judaísmo, sionismo, Israel e comunidades judaicas”, continua nesta terça-feira (14) e termina na quarta (15).

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