Demissões e pessimismo na Startup Nation
Daniela Kresch
TEL AVIV – O Twitter demitiu 3.700 pessoas, metade dos funcionários. A Meta (leia-se Facebook) dispensou 11 mil, 13% dos empregados. Neste final de 2022, as grandes empresas de alta tecnologia estão sentindo as consequências da crise mundial que afeta o planeta. Em Israel, não seria diferente. A chamada Startup Nation – nação que há décadas investe na tecnologia para crescer – está de cabelo em pé.
As demissões também começaram por aqui. Só na última semana de outubro, 710 pessoas perderam o emprego no setor de high tech, demitidas de empresas conhecidas como OrCam e Hewlett-Packard.
Se nos dois anos da pandemia da Covid a situação foi complicada, a invasão russa da Ucrânia piorou ainda mais a conjuntura. A guerra causou aumento da inflação e, em consequência, elevação de juros e queda de investimentos. Nada disso é bom para as milhares de startups israelenses que tentam angariar recursos para sair do papel ou empresas de alta tecnologia, grandes ou pequenas, que tentam se manter de pé.
Os investimentos em startups israelenses caíram 36% no terceiro trimestre de 2022 em comparação com o trimestre anterior. As empresas israelenses arrecadaram um total de cerca de US$ 2,8 bilhões entre julho e setembro deste ano, de acordo com um relatório da empresa de investimentos Viola Grupo. Isso inclui uma queda de 69% ano a ano em “mega” acordos – rodadas de financiamento de US$ 100 milhões ou mais.
A situação não melhorou em outubro, quando, segundo o site Geektime, menos de 20 empresas relataram atrair capital em nível parecido ao de junho de 2020, quando o coronavírus ainda era novidade e ainda nem havia vacinas. Na época, o desespero levou o mundo todo a se fechar. Mas agora, mesmo que as vacinas tenham levado o mundo a uma situação pós-pandêmica, a guerra na Europa está impedindo o mercado de se recuperar.
Israel até se recuperou bem em 2021, um ano de boom para o setor de alta tecnologia. Mas 2022 não está sendo igual. Os problemas começaram em julho, quando aconteceu o início da desaceleração, com centenas de pessoas sendo demitidas e os investimentos caindo.
“Após os feriados judaicos (de outubro) e vários relatórios pouco otimistas que foram publicados recentemente sobre o estado do ecossistema, que indicavam uma diminuição na taxa de captação de capital e na abertura de novas startups, não deveria ser uma surpresa que outubro não foi um bom mês para startups israelenses”, escreve o repórter Oshry Alkeslasi no Geektime.
Segundo os dados, só 18 startups relataram ter conseguido angariar um total de US$ 534 milhões. Isso é pouco. Muito pouco. Além disso, apenas três empresas captaram a maior parte desses recursos: OpenWeb, Trigo e Vesttoo(US$ 350 milhões, juntas).
A única notícia medianamente boa foi o IPO da Mobileye, adquirida pela Intel em 2017 por US$ 15,2 bilhões. Mas, se a Intel anunciou que planejava abrir o capital da Mobileye com uma avaliação de US$ 50 bilhões, na semana passada, a empresa foi oficialmente listada na Nasdaq com valor significativamente menor: US$ 17,6 bilhões,
Não se pode negar que Israel tem uma economia de tecnologia resiliente nos últimos 20 anos, mesmo quando os mercados mundiais passam por dificuldades. Mas o segundo semestre de 2022 está sendo um desafio. Nas últimas duas décadas, a indústria de tecnologia ajudou Israel a manter um crescimento positivo, mesmo quando o resto do mundo enfrentava crises. Agora, pode ser que isso mude.
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