#PenseAntesdeFalar
02 fev 24

#PenseAntesdeFalar

Paulo Loeb*

Meus avós húngaros foram sobreviventes do Holocausto e chegaram ao Brasil em 1956 com minha mãe, uma menina de seis anos. Minha sogra nasceu no Marrocos e, também em 1956, com apenas dois anos de idade, veio para o Brasil com seus irmãos, no colo de seus pais. Em comum, fugiam das turbulências políticas, do receio de serem judeus em seus países e buscavam um porto seguro para seguirem com suas vidas. Uma nação receptiva, como foi com imigrantes sírios, libaneses, italianos, japoneses, alemães e tantos outros povos, em nossa tradição de pluralidade e convivência entre diferentes. Portanto, agradecimento ao nosso país é a primeira palavra que vem à mente, ao refletir sobre a história da minha vida – ainda, que, ao longo da vida, tenha descoberto que o mesmo país não foi receptivo da mesma forma com outros povos.

No contexto atual, esse agradecimento se estende às pessoas empáticas ao sofrimento dos judeus, que choram pelas mais de mil e duzentas mortes ocorridas em Israel no dia 7 de outubro de 2023, em consequência do ataque terrorista do Hamas. E, também, às mesmas pessoas que percebem a dor das famílias palestinas que perderam entes queridos em Gaza, não pertencentes ao Hamas. Pessoas que são capazes de ver e sentir o que há de mais cruel em nossa espécie: a morte de inocentes.

Sou grato a quem não mistura o direito de existência do Estado de Israel com um governo que não necessariamente representa toda a pluralidade dos israelenses. Pessoas que, da mesma forma, não confundem a totalidade dos cidadãos de Gaza com os integrantes do grupo terrorista Hamas.

Agradeço quem não suporta conviver com a realidade dos estupros e violência sexual, e de que existem mais de cento e trinta pessoas mantidas em cativeiro em Gaza, entre elas crianças, idosos e mulheres civis. E que, da mesma forma, sentem-se atônitas ao verem crianças, idosos e mulheres palestinas em situação além da nossa capacidade de compreensão, em razão da sua terra ser governada por uma entidade terrorista, que tem como objetivo fundamental aniquilar Israel, mesmo que isso custe a vida de seus inocentes.

Parabéns a todas as pessoas que não utilizam as redes sociais para “lacrar” uma posição sem conhecer o básico da história do Oriente Médio. E àquelas que se posicionam a favor da paz, buscando lucidez a partir de fatos históricos. Pessoas informadas sobre a história da criação do Estado de Israel, sobre as tratativas dos Acordos de Oslo, sem esquecer do sofrimento do povo palestino. Faço coro ao jornalista do New York Times, Thomas Friedman, que deixou claro na entrevista recente que deu no podcast The Ezra Klein Show: “Você quer marcar seu ponto de vista ou fazer a diferença? Só me interesso pelo segundo grupo de pessoas”.

Por fim, sou agradecido às pessoas que pensam antes de falar, postar ou compartilhar informações levianas nas redes sociais. E aqui me refiro não somente às declarações antissemitas, mas também islamofóbicas, racistas e LGBTQIfóbicas. O Brasil é o país que mais mata pessoas LGBTQIA+ no mundo, registros de crime de racismo tiveram aumento de 67% em 2022 e, somente em 2023, a islamofobia cresceu mais de 900% e o ódio aos judeus mais de 1.000%.

Não coloque vidas em risco. #penseantesdefalar

*Paulo Loeb faz parte do conselho consultivo do Instituto Brasil Israel.

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