<strong>Dia Internacional contra o Fascismo e Antissemitismo alerta contra crescimento da intolerância no mundo</strong>
09 nov 22

Dia Internacional contra o Fascismo e Antissemitismo alerta contra crescimento da intolerância no mundo

No Brasil, crescem registros de disseminação de atitudes antidemocráticas e preconceituosas

Nesta quarta, 9, é celebrado o Dia Internacional contra o Fascismo e o Antissemitismo. A data, estabelecida pelo Parlamento Europeu com o objetivo de combater a intolerância e os discursos autoritários dentro dos países da União Europeia, também deve servir de alerta para os demais países, inclusive o Brasil, que vivem um crescimento de casos de ódio e registros de ocorrências desse tipo.

“A data remete ao mesmo dia do ano de 1938, marcada pelo que ficou conhecido como Noite dos Cristais, na Alemanha. Na ocasião, as tropas alemãs destruíram centenas de lares e lojas de judeus, incendiaram sinagogas e impuseram o terror contra a comunidade judaica. Essa perseguição e instalação de uma política de exclusão e discriminação culminou no Holocausto e a morte de mais de seis milhões de pessoas pelo regime nazista”, explica Daniel Douek, diretor-executivo do Instituto Brasil-Israel.

Para Douek, a lembrança da data como um sinal de alerta para a sociedade é fundamental, principalmente pelo momento em que vivemos, com a exacerbação das polarizações e das manifestações antidemocráticas, com discursos preconceituosos se espalhando Brasil afora, podendo tomar proporções perigosas. “O que aconteceu no passado deve nos servir de legado para que jamais se repita e, nesse sentido, ter uma data em que se possa criar ações de conscientização contra a intolerância é fundamental”, afirma.

A preocupação não é sem razão. Dados do Observatório Judaico dos Direitos Humanos no Brasil revelam que nos últimos dois anos, cresceu 133% o número de casos de neonazismo no Brasil, subindo de 21 para 49 ocorrências. Ao todo, foram 114 casos registrados de 1º de janeiro de 2019 a 30 de junho de 2022. No 1º ano do levantamento, houve 12 episódios dessa natureza, enquanto 32 casos foram identificados no 1º semestre de 2022. Ainda de acordo com o levantamento da entidade, de 2019 até o final do 1º semestre de 2022, foram 55 violações antissemitas.

O relatório considera eventos de caráter neonazista aqueles que não mencionam “judeus”, mas fazem referências explícitas a Hitler, ao Nazismo ou ao Holocausto, incluindo fatos históricos do regime nazista. São consideradas ocorrências antissemitas aquelas dirigidas especificamente aos judeus, mesmo que se refiram também a outros grupos.

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