A experiência da Marcha da Vida
30 ago 23

A experiência da Marcha da Vida

Foto: Daniel Faizibaioff

Minha jornada na Marcha da Vida foi uma experiência que mudou a minha vida de maneiras que eu nunca poderia ter previsto. Viajar pela Polônia, Alemanha e Israel, com o tema do Holocausto como pano de fundo, foi emocionalmente avassalador e profundamente transformador.

A primeira parada da nossa jornada foi na Polônia, onde a realidade da história começou a se desdobrar diante dos meus olhos. Caminhamos pelos corredores sombrios de Auschwitz-Birkenau, onde milhares de vidas foram perdidas de maneira tão brutal. Os vestígios dos horrores que ocorreram ali ecoaram em nossas almas enquanto observávamos os montes de óculos, sapatos e cabelos humanos que testemunhavam a escala da tragédia. Foi um choque emocional que me fez perceber a importância de lembrar e compartilhar essa história.

Certamente, o Campo de Majdanek foi o momento mais impactante da minha jornada na Marcha da Vida. Quando chegamos lá, a atmosfera era pesada, como se o próprio lugar ainda estivesse carregado com as memórias daqueles que sofreram ali. Caminhar entre os restos das barracas e ver os vestígios da brutalidade que ocorreu ali deixou uma marca profunda em meu coração. Ao visitar o Mausoléu, onde as cinzas das vítimas foram preservadas, a sensação de tristeza e indignação era avassaladora. Foi um lembrete angustiante da crueldade que a humanidade pode infligir aos seus semelhantes e da necessidade de garantir que tais horrores nunca se repitam. O Campo de Majdanek me tocou de uma maneira que palavras dificilmente podem expressar, e reforçou ainda mais meu compromisso em manter viva a memória do Holocausto.

Na Polônia, além dos campos de concentração, visitamos locais que também destacavam a vibrante e complexa história da vida judaica na região. O POLIN Museum of the History of Polish Jews, em Varsóvia, foi um desses lugares emblemáticos. Este museu é um testemunho inspirador da rica herança judaica polonesa que existia antes do Holocausto. Ao percorrer suas exposições, aprendemos sobre a contribuição significativa dos judeus para a cultura, arte, política e economia da Polônia ao longo dos séculos. Através das histórias de indivíduos e comunidades, o museu nos transportou para um passado multifacetado e muitas vezes esquecido. O POLIN Museum não apenas celebrou a vida judaica na Polônia, mas também nos lembrou da importância de preservar e honrar essa história complexa e valiosa, ressaltando que, apesar das adversidades, a cultura e a contribuição dos judeus poloneses são parte inextricável da identidade polonesa. Esta visita reforçou a ideia de que, além de recordar as tragédias do Holocausto, é igualmente crucial lembrar e celebrar o legado rico e diversificado dos judeus na Polônia.

À medida que seguimos para a Alemanha, visitamos diversos locais históricos, incluindo o Memorial do Holocausto em Berlim. As enormes pedras que compõem o memorial nos lembraram das enormes perdas sofridas, enquanto as exposições detalhadas nos contaram as histórias individuais de vítimas do Holocausto. Em cada lugar que visitei, senti uma tristeza profunda e uma raiva crescente contra a injustiça que havia sido infligida.

Ainda em Berlim, visitamos o Museu Topografia do Terror, que ofereceu uma perspectiva única sobre o regime nazista e as atrocidades do Holocausto. Este museu está localizado no local onde estavam situadas as sedes da SS e da Gestapo durante o Terceiro Reich. Caminhar por esses terrenos históricos, onde decisões terríveis foram tomadas, foi uma experiência profundamente sombria. As exposições detalhadas e os documentos originais expostos no museu forneceram uma visão abrangente das políticas de perseguição e repressão do regime nazista. Foi uma dolorosa lembrança de como o poder pode ser corrompido e usado para infligir sofrimento inimaginável. A visita ao Museu Topografia do Terror reforçou a importância de lembrar não apenas as vítimas, mas também os perpetradores e cúmplices desses crimes hediondos, a fim de garantir que a história não seja distorcida ou esquecida.

No entanto, foi em Israel que minha jornada encontrou um raio de esperança. Chegar a Jerusalém e estar em um lugar que representa a sobrevivência e a resiliência do povo judeu após o Holocausto foi incrivelmente emocionante. Visitar o Museu Yad Vashem foi uma experiência avassaladora, mesmo eu já tendo visitado muitas outras vezes. Visitar o Yad Vashem depois de ter passado pela Polônia e Alemanha teve outro significado. Cada nome, cada rosto e cada história contada ali nos lembraram que, apesar do horror indescritível, a humanidade pode encontrar força para se erguer novamente.

Participar da Marcha da Vida me fez perceber que a lembrança do Holocausto não deve ser apenas um exercício acadêmico, mas uma missão pessoal e coletiva. Devemos compartilhar essas histórias para que nunca se repitam e para que a humanidade possa crescer com o conhecimento de nosso passado sombrio.

Ao final da minha jornada, fiquei com um sentimento de responsabilidade renovada para manter a memória viva. As lágrimas derramadas nos campos de concentração, a tristeza sentida nas exposições e a esperança encontrada em Israel me lembraram que nunca podemos esquecer o que aconteceu durante o Holocausto. Devemos ser os guardiões das histórias daqueles que sofreram e, com nossos corações cheios de compaixão, trabalhar incansavelmente para um mundo onde a intolerância e o ódio não tenham lugar.

A Marcha da Vida não foi apenas uma viagem, foi uma jornada emocional que me mudou para sempre. E, enquanto eu continuo minha vida, levarei comigo o compromisso de honrar a memória daqueles que sofreram e de lutar por um mundo mais justo e compassivo.

Karina Calandrin

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